Quem somos?

Somos missionários, professores de missões, profissionais da saúde, diretores de organizações missionárias e outras pessoas interessadas no bem-estar físico, emocional, familiar, e espiritual do corpo de missionários brasileiros servindo à causa de Cristo. /span>

CIM é um departamento da AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras), que reúne forças missionárias (igrejas, agências, juntas, associações missionárias, missões prestadoras de serviço ao cuidado missionário , pessoas especializadas na área do cuidado integral e missionários cuidadores de outros missionários) e tem por objetivo promover o cuidado integral do missionário através da conscientização, treinamento, e a organização de uma rede para o cuidado em si.

Neste site você poderá baixar diversos recursos para o seu desempenho na missão de Deus. E, claro, esperamos que deixe a sua opinião. Aproveite!

Como funciona este Forum?

Este forum está em forma de "blog". A sua participação é bem-vinda e até encorajada! Como fazê-lo? Basta clicar sobre o título do seu interesse, se registrar no pé da página, escrever o seu comentário no espaço fornecido e clicar no botão do envio do comentário. Daí, é só aguardar. O administrador do site receberá em seguida o seu comentário e será lançado junto com o artigo. Poderá vê-lo quando voltar ao artigo depois. Fácil, não? Então, aproveite e participe!

Comentários recentes

aconselhamento

editoras

escolas

eventos

liderança

organizações missionárias

recursos

PROJETO: CUIDADO EMOCIONAL DO MISSIONÁRIO

Publicado pelo Forum | 25/01/2010

Fase: Treinamento Transcultural (2009-2010)

Cara Igreja, amados irmãos em Cristo, Paz!

O ano de 2010 começou com muita esperança e gratidão a Deus por tudo que ELE tem realizado em minha vida e a partir dela, neste tempo que tenho dedicado ao estágio de campo na África do Sul.

Algumas alterações foram necessárias no roteiro do Projeto. Isto reflete apenas no prolongamento do meu tempo de estágio e pesquisas em campo transcultural que estava previsto finalizar em 10 de jan. 2010. Em conformidade com as igrejas parceiras, estamos estendendo este tempo até outubro, ocasião em que estarei retornando para o Brasil para dar continuidade às fases seguintes do projeto, contando com a graça de Deus sempre.

Nosso projeto visa organizar uma Base de Apoio ao Missionário dando assessoria àqueles que transitam entrando e saindo do Nordeste para o mundo. Em fase de pesquisa no Brasil conhecemos alguns poucos trabalhos que estão sendo realizados no Sudeste do país, porém a região Nordeste continua desfalcada deste tipo de atendimento mais cuidadoso àqueles que se dedicam integralmente ao trabalho missionário fora de suas fronteiras.

Metas já alcançadas – Deus sempre nos surpreende fazendo além!

Em 2009, tive a oportunidade de me estender até Moçambique, visitando várias bases missionárias no sul do país, fazendo atendimento psicológico àqueles que solicitaram e ampliando o meu espectro da pesquisa do mestrado, com foco em missionários transculturais de fala portuguesa. Já temos 42 entrevistas realizadas. A visita a cidades do difícil campo moçambicano, resultou em outros atendimentos tanto via e-mail, quanto presenciais. Em dezembro e Janeiro, missionárias atendidas lá no campo, solicitaram prolongamento do trabalho terapêutico, e, aproveitando suas férias de campo, uma delas chegou a viajar até a África do Sul para isso.

Glória a Deus! Coisas assim, totalmente inesperadas dentro do planejamento do projeto têm acontecido, me fazendo confirmar o direcionamento de Deus para minha vida ministerial no Reino. Além disso, tenho sido desafiada a trabalhar na construção de melhores métodos para atendimentos tão curtos e tão focais, como é o trabalho de campo.

Mesmo aqui em África do Sul, tenho continuado a receber e-mails de missionários anteriormente atendidos ou direcionados por outros, para ter algum tipo de apoio emocional, nas fases em que vivem. Tenho dedicado tempo a este trabalho também de acompanhá-los de longe e orar por suas vidas.

É uma experiência muito rica, irmãos, completamente nova para mim e para os parceiros neste projeto, mas acreditamos que não nós, mas o SENHOR é que tem nos guiado nesta direção de investir nesta parte do Reino no mundo, que tende a crescer em suas necessidades.

Novos Alvos – Expectativa e fé Naquele que tudo pode!

Para 2010 temos o alvo de realizar duas viagens para fora do país, podendo dedicar um tempo de 1 mês (pesquisa e atendimentos) em cada um destes países que ainda não definimos. Estamos em oração. Pensa-se em um país africano e um asiático para enriquecer o estágio transcultural. Quem sabe, a tão sonhada China?

Continuo contando muito com as orações da igreja, pedindo a Deus orientação para essa nova fase, manutenção suficiente para realizar tais metas. Também muita sabedoria e saúde para desenvolver este trabalho com aqueles que neste momento carecem emocionalmente, mas perseveram no intuito de servirem ao Senhor no campo missionário, apensar das fraquezas.

Sou muito grata pelo apoio desta igreja, tanto financeiro para o andamento do projeto, quanto pessoal no envio de mensagens atenciosas e nas orações.

Continuemos juntos neste propósito de servir ao REI dos reis.

Em Cristo,

Verônica Farias

Skype: veronicasfarias

E-mail: verasfarias@gmail.com

  • Share/Bookmark

Tópicos: atividades de cuidado integral de missionários, notícias | Faça o primeiro comentário! »

O CAMINHO PARA TERMINAR BEM A CARREIRA MISSIONÁRIA Por Silas Tostes

Publicado pelo Forum | 21/01/2010

1. Introdução
O propósito deste texto é definir um caminho para que a carreira missionária termine bem. Como base, tomaremos as palavras que o Senhor disse a Pedro, Tiago e João no monte da transfiguração. Veremos que eles tinham problemas, mas que se tornaram bons apóstolos de Cristo ou bons missionários transculturais, no caso de Pedro e João. Parece-me apropriado levantar essa questão porque muitos missionários bons não terminaram bem as suas carreiras missionárias. Entendo que nós precisamos seguir por um caminho que nos leve a um final feliz em relação à nossa carreira missionária.
Seguirei os seguintes pontos para atingir o meu propósito. Primeiro, mencionarei exemplos de missionários que não terminaram bem as suas carreiras missionárias. A seguir, sugerirei um ciclo, que necessariamente não está sujeito a uma lei infalível, mas que é real e leva missionários à queda. Geralmente, apenas missionários imaturos vivenciam esse ciclo, que, por fim, os destrói. Depois, mostrarei que, apesar das dificuldades humanas, Pedro, Tiago e João souberam encerrar bem as suas carreiras missionárias. Por fim, considerarei que outros personagens bíblicos também souberam terminá-las bem. A ideia é apresentar uma visão clara de um caminho que nos leve a uma conclusão ministerial que sempre glorifique a Deus.

2. Muitos não estão mais na carreira missionária
Ao longo dos anos, muitas pessoas aprovadas foram enviadas ao campo missionário por suas igrejas ou por suas igrejas em parceria com agências missionárias. Infelizmente, porém, entre elas há as que não terminaram bem as suas carreiras missionárias. Analisando casos particulares, discretamente mencionados aqui, observamos que estes se referem a ex-missionários. Anteriormente, eles foram aprovados, bem sustentados e deram frutos no campo, mas, por fim, não terminaram bem as suas carreiras missionárias. Durante um determinado tempo, parece que eles foram tementes a Deus e humildes, porém, em um dado momento, eles iniciaram um processo de afastamento de Deus, dos laços familiares e dos bons princípios ministeriais, o que os levou ao fim trágico de seus ministérios e lares.
• Certo missionário voltou para práticas imorais com pessoas do mesmo sexo, contraiu AIDS e voltou ao Brasil, onde faleceu;
• Certo casal, após ter fundado uma ótima igreja que continua muito ativa em uma parte bem carente de presença evangélica, viu o seu casamento ruir pelo adultério do marido (parece que eles conseguiram salvar o casamento, mas deixaram o campo missionário para engrossar as fileiras de imigrantes em certo país desenvolvido);
• Certo casal voltou bem do campo, mas, anos mais tarde, infelizmente viu o seu casamento ruir quando a esposa passou a ganhar mais do que o marido e se viu no direito de se envolver com outros homens;
• Certo missionário enfrentou tanto estresse com a agência enviadora , que surtou, voltando aos tempos, memórias e comportamentos de seus 12 anos de idade, não reconhecendo nem seus familiares (ele voltou ao normal com a ajuda de um psiquiatra, e acabou imigrando para país mais desenvolvido);
• Certo casal que muito produziu no campo viu o seu casamento ruir e, consequentemente, o seu ministério em função de toda sorte de acusação em relação à possibilidade de o marido ter voltado a sua antiga crise de identidade sexual e de suspeitas de que ele tivesse encontrado parceiros para o seu novo estilo de vida;
• Certo casal passou por uma crise em relação à infidelidade e, por fim, foi para um país desenvolvido como imigrante (eles conseguiram construir uma casa no Brasil e voltaram para cá, mas não têm um ministério missionário há muitos anos).
• Certa missionária retornou ao Brasil, devido às dificuldades de adaptação a nova cultura. Tentou várias outras oportunidades de ministério, mas suas carreira foi abalada. Demorou muito tempo para conseguir uma nova colocação.
• Certo casal entendeu ter ouvido a voz Divina e tomou a decisão de retornar ao Brasil, por terem sentido que este era o tempo de Deus para eles. Contudo, não conseguiram se adaptar a nova realidade denominacional e cultural e acabaram sofrendo muitas conseqüências na família, com falta de apoio, dinheiro e trabalho.

Infelizmente, há muitos outros casos de missionários que também não terminaram bem as suas carreiras missionárias, inclusive missionários estrangeiros em nossas terras. No geral, todos eles foram bons missionários – previamente aprovados, com sustento e com frutos. Em um dado momento, porém, eles se viram em dificuldades e não terminaram bem as suas carreiras missionárias. Infelizmente, os ministérios deles não foram restaurados até o momento. As dificuldades que eles tiveram não apareceram do dia para a noite, normalmente fizeram parte de um processo que se desenvolveu. A soma de todos esses casos não deve passar de 2% da força missionária enviada, mas, mesmo assim, é um alerta para os 98%.

3. Um ciclo que leva à destruição
Analisando tantos casos, pude perceber algumas similaridades de comportamento, um ciclo. O ciclo que sugiro não é uma lei infalível. Em geral, os missionários não passam por esse processo, mas alguns passam. A minha sugestão se pauta na minha experiência e no meu convívio pessoal com a força missionária brasileira, que completaram 26 anos em 2009. O ciclo é um processo de queda que ocorre mais ou menos da maneira descrita a seguir. É claro que os prazos sugeridos variam de pessoa para pessoa.
Normalmente, no curso de preparo missionário, o candidato é humilde. Dá até dó. Ele sonha ser missionário e transformar o mundo, fazendo diferença em algum lugar. Ele ainda não possui experiência transcultural e ainda não aprendeu outra língua. (Alguns missionários talvez precisem aprender duas novas línguas.) Ele não possui todo o sustento que necessita. Nessa fase, ele aprende muito, inclusive a fazer o projeto missionário. Ele também aprende a levantar o seu sustento, apresentando o seu projeto à igreja enviadora ou às igrejas enviadoras, amigos e familiares. No curso de preparo missionário, ele nem sempre sabe para onde irá.
Depois, vem o primeiro ano no campo intermediário. Surgem problemas, dificuldades e choques. Nesse contexto, o missionário garante que de fato não sente nenhum choque cultural, apesar de que ele ainda não desenvolveu estruturas metaculturais (possibilidades de avaliação de sua própria cultura e da cultura alheia) que permitam que ele veja, entenda e explique o choque cultural e a causa do mesmo.
O tempo passa, e o missionário aprende línguas, faz amigos no campo, inicia o ministério e dá alguns frutos. No fim de três ou quatro anos, ele retorna ao Brasil. O perfil dele é outro. Ele estudou missões, aprendeu outras línguas e sabe falar da vida missionária, tanto de suas lutas e conflitos como de suas vitórias. Nessa nova situação, ele costuma ser bem recebido e até admirado. Inicia-se o processo de bajulação do missionário.
Então, outros três ou quatro anos se passam. O missionário passa a ser bem mais respeitado do que na época de aluno do curso de preparo missionário. Depois de sete ou oito anos no campo, começam os convites. Eles são mais ou menos assim: Por que você não deixa a sua agência missionária e passa para a nossa igreja ou para a nossa agência? Nós podemos dar tudo o que você precisa, mas o seu ministério no campo precisa ser da nossa denominação. São ofertas tentadoras. Possivelmente, Deus tem algo melhor mesmo para o missionário. Várias passagens de um ministério para outro costumam dar certo. Infelizmente, porém, alguns dos missionários não discernem a voz de Deus e, após receberem ótimos convites, perdem os antigos mantenedores. No novo contexto, o missionário não sabe lidar com as novas regras e com as políticas denominacionais. Talvez ele se sinta usado para levantamento de fundos, que não foram enviados. Ele vê que certas promessas não se cumprem. Vem, então, a avalanche de conflitos e o estresse altíssimo.
A fase mais aguda do processo de bajulação normalmente ocorre no retorno do missionário ao Brasil após o seu segundo termo de trabalho. É nessa hora que alguns obreiros mais imaturos se deixam levar, não mantendo a humildade e a cordialidade. Por volta dos sete a oito anos no campo, o missionário mais imaturo se torna arrogante, exigente e intolerante. Ele foi tão elogiado e admirado nos últimos anos que sente que possui o direito de exigir e de se impor. Nesse contexto, toda a equipe do escritório da agência missionária é pouca para apoiá-lo, toda a estrutura é pouca para recebê-lo. Enquanto as intransigências surgem apenas no contexto da agência missionária, ainda vai, mas, por fim, as igrejas percebem a atitude do missionário, toleram-no, amam-no e o orientam, mas, um dia, elas se cansam. Essa é a hora em que o missionário, cheio de dedos e exigências, perde o respeito e o sustento, vindo a amargar várias dificuldades. Chamo isso de fase da caixinha de fósforos, pois o missionário, sem razão de ser, pensando ser mais do que realmente é, metaforicamente sobe em uma caixinha de fósforos (sem base) e faz o seu discurso.
Tendo perdido o sustento e o respeito, possivelmente se inicia então uma fase de disciplina do Senhor, que corrige os filhos a quem ama (Hb 12:7-8). A disciplina do Senhor se dá no contexto em que o próprio missionário plantou para colher os seus dissabores.

O ciclo descrito acima ocorre quando o missionário é famoso e tem visibilidade ministerial. Ele tem mais frutos, mais sustento e mais convites, mas, ao mesmo tempo, é imaturo. Quando tem mais visibilidade, ele pode se descuidar da prestação de contas ministerial e do zelar pelo bom trabalho de sua equipe, por sua vida íntima com Deus e por sua família, vindo a se encontrar em uma das situações destruidoras mencionadas acima. É nessa hora de descuido que o missionário fica mais independente. Ele toma decisões sem compartilhá-las com a igreja e com a agência enviadora. Ele pensa que tem tanto fruto e trabalho que orar e se consagrar a Deus pouco vale. Ele pensa que é tão bem-sucedido que pode caminhar sozinho.
Há ainda a fase que acontece por volta dos 12-15 anos de campo, quando o missionário entraria em sua fase mais frutífera no campo, mas que por razões pessoais, familiares, ministeriais, financeiras , entre outras, pensa já ter cumprido seu tempo de campo e começa a buscar novas alternativas. Esta é uma fase muito perigosa, pois se forem feitas escolhas erradas, o missionário que estaria a caminho de completar uma grande carreira, acaba tendo um final não feliz para si mesmo e para sua família. Voltar ao contexto de sua terra natal, seja em termos pessoais, familiares e até ministeriais é algo que precisa ser muito bem preparado, para que possa seguir trabalhando, o que trará um senso de respeito, credibilidade e por conseqüência, um sentido de vida. Nesta fase, corre o risco de não ouvir seus líderes, desenvolvendo um discurso tão convincente ,que fica difícil de ser refutado.
Normalmente se o missionário consegue passar bem por este momento entre os 12-15 anos de campo e decide por permanecer na obra, sua carreira decola , os frutos são duradouros e acaba por escrever uma história bonita. Existem casos, que mudam sim de campo, mas não perdem o foco do ministério para o qual foram chamados.
Somente bons missionários que um dia perderam os seus ministérios transculturais foram citados. Eles eram bons, mas perderam os seus ministérios. Eles tinham frutos, mas terminaram a carreira missionária sem honra. Será que há algo que pode ser feito para reverter esse ciclo? Há sim!

4. Pedro, Tiago e João terminaram bem as suas carreiras missionárias
Sabemos que os apóstolos de Cristo tiveram dificuldades. Estas nos saltam aos olhos em uma breve leitura dos evangelhos, mas consideraremos somente as dificuldades que eles enfrentaram na ocasião da transfiguração de Jesus ou no contexto imediato a esse episódio. Pedro, Tiago e João tiveram problemas, mas eles os venceram. Isso aconteceu porque eles mantiveram como base a palavra divina proferida no monte da transfiguração. Se eles venceram, certamente nós também podemos fazê-lo, mas o caminho proposto por Deus precisa ser trilhado. Pedro, Tiago e João ouviram a Jesus, e nós temos que fazer o mesmo.
Lucas nos informa que Jesus levou os três discípulos para o monte onde ocorreria a transfiguração para orar (Lc 1:28). Quando eles estavam pesados de sono, houve a transfiguração e o diálogo entre Jesus, Moisés e Elias sobre a aproximação da morte de Jesus (Lc 9:30). Quem nunca sentiu sono durante a oração? Naquele contexto, Pedro sugeriu que três tendas fossem construídas (Lc 9:33). Possivelmente, a sugestão de Pedro indique que ele desejava que aquele momento perdurasse até a Festa dos Tabernáculos, que se aproximava. Lucas acrescenta que, ao sugerir que três tendas fossem levantadas, na verdade Pedro não sabia o que dizia (Lc 9:33).
Quantas vezes temos dificuldade para entender a obra de Deus? Quantas vezes falamos sem saber do que falamos? Quantas vezes pensamos mais em nossos interesses – ficar nas três tendas da bênção – do que nas nações sem Deus? Quantas vezes queremos perpetuar o sentimento da presença de Deus em uma eterna sensação celestial na terra sem nos importarmos com os que nunca ouviram da redenção de Deus em Cristo?
A sugestão de Pedro, mesmo em sua ignorância, não deixou de ser egoísta. Pedro foi ignorado pelo trino Deus. Sugestões egoístas são ignoradas por Deus. Ele as deixa sem resposta. Por isso Jesus nada disse a Pedro. Não respondeu a sua colocação. Ao descerem do monte, Jesus advertiu os discípulos a não contar nada a ninguém até que Ele ressurgisse dos mortos (Mc 9:9). Os discípulos guardaram o segredo pedido, mas perguntaram a si mesmos o que seria ressurgir dos mortos (Mc 9:10). Mesmo que Jesus já tivesse explicado tudo sobre a Sua partida, eles ainda não haviam entendido as Suas palavras (Mt 16).
Quantas vezes Deus precisa falar até que nós entendamos o que Ele nos diz? Quantas vezes não entendemos os propósitos de Deus? Os discípulos andaram com Deus, mas não entenderam os Seus caminhos? Não é assim conosco?
Certamente que os três discípulos tiveram as suas dificuldades. Isso sem falar na aparente disputa de poder que havia entre eles para saber quem era o maior no reino de Deus (Mt 18:1) ou na falta de fé deles (Mt 17:20). Mesmo assim, porém, eles terminaram bem as suas carreiras missionárias. Sabemos que Pedro foi para Antioquia da Síria e, depois, para Roma ou para a Babilônia. João foi para Éfeso e, depois, como prisioneiro, foi enviado para a Ilha de Patmos. Tiago também terminou como um consagrado e atuante apóstolo, mesmo que tenha sido executado prematuramente (At 12:2). O que os fez terminar bem a carreira missionária?
Evidentemente, foi a soma de vários fatores que levou os apóstolos a terminar bem as suas carreiras missionárias. Incluo nisso a capacitação espiritual que vem do Espírito Santo (At 1:8), contudo, pergunto: Houve um ponto fundamental por meio do qual os três apóstolos construíram uma carreira missionária de sucesso? Sim, eles trilharam pelo caminho indicado por Deus no monte da transfiguração.
Naquela ocasião, Deus poderia tê-los repreendido, pois Pedro não soube o que disse e os discípulos não haviam entendido as explicações de Jesus acerca de Sua ressurreição. Quando Deus falou para a platéia de três apóstolos, porém, Ele simplesmente disse: “Este é meu filho amado em quem me comprazo; a ele ouvi”.Ouvir o Filho nos leva a terminar bem a nossa carreira missionária. Nada nos preserva mais no caminho para que tenhamos um final feliz em missões do que regularmente ouvir a Jesus. A voz de Deus não só testemunhou a singularidade da divindade de Jesus como também a necessidade que todos os homens têm de ouvir a Ele. Ao ouvir a Deus, nós somos redimidos e encaminhados em uma carreira missionária perseverante e vitoriosa. Não há como terminar bem uma carreira missionária sem Jesus, sem ouvirmos a Sua voz e sem termos uma comunhão íntima e regular com Ele.
Os três apóstolos ouviram a Jesus? Sim. Mesmo que eles tivessem as suas dificuldades e mesmo que nem sempre eles entendessem a Sua linguagem metafórica, eles ouviram a Jesus. Eles O ouviram e continuaram a ouvi-lO. Os discípulos não entenderam o que era o fermento dos fariseus (Mt 16:5-7), não entenderam que Lázaro havia morrido, pois Jesus dissera que ele dormia (Jo 11:11-12) e não entenderam a parábola do semeador, para a qual pediram explicações (Mt 13:10,18), contudo ouviram a Jesus e continuaram a fazê-lo. Então, pela graça de Deus, foi-lhes aberto o entendimento (Lc 24:45). Os discípulos ouviram tanto a Jesus que O entenderam. Eles ouviram a Jesus mesmo quando as Suas palavras foram de repreensão (Mc 16:14).
Nesse contexto, os discípulos terminaram bem as suas carreiras missionárias? Claro que sim. Ao ouvirem a Jesus, eles permaneceram em Jerusalém e foram capacitados pelo Espírito Santo (At 1:8). Depois, eles se recusaram a estar tão ocupados que não pudessem orar e se dedicar à pregação. Diáconos foram eleitos para que os apóstolos tivessem todo o tempo necessário para continuar a ouvir a Jesus pela Palavra (At 6:2). Eles não abandonaram as Escrituras nem a oração, apesar da grande soma de convertidos em Jerusalém. Foi no permanecer ouvindo a Jesus que o idoso João ainda O ouviu falar, revelando-lhe o Apocalipse (Ap 1:1). Foi ouvindo Jesus que Pedro, por sua vez, sabendo que a sua morte se aproximava, permaneceu ativo, encerrando bem a sua carreira missionária. Ele disse: “Pelo que estarei sempre pronto para vos lembrar estas coisas, ainda que as saibais, e estejais confirmados na verdade, que já está convosco. E tendo por justo, enquanto ainda estou neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações, sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, assim como nosso Senhor Jesus Cristo já mo revelou. Mas procurarei diligentemente que também em toda ocasião depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas. Porque não seguimos fábulas engenhosas quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós fôramos testemunhas oculares da sua majestade”(2Pe 1:12-16).
O nosso ouvir a Jesus deve ocorrer segundo os passos dos apóstolos. Eles se dedicaram às Escrituras (At 6:2). Nesse contexto, eles ouviram a voz de Jesus pela iluminação do Espírito Santo [ii]. Dessa forma, ocorreu na vida deles a correção das Escrituras. “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3:16). Sendo assim, não ouvir a Jesus é fazer o caminho inverso de Atos 6:2, ou seja, é se sentir tão importante que se julgue que não é necessário ter tempo com Deus e para Deus. Quando ouve a si mesmo, o missionário se deixa levar por bajulação, o que, por fim, o leva à destruição, que geralmente é precedida pela fase da caixinha de fósforos.
Infelizmente, a chamada obra de Deus inúmeras vezes é somente uma disputa por espaço, verba e posição. Na verdade, a obra de Deus é fazer a vontade de Deus conforme ouvimos o Filho, o caminho para Deus (Jo 14:6). Devemos fazer a vontade de Deus, ouvindo a Jesus, até que completemos a nossa carreira missionária. Jesus disse: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e completar a sua obra” (Jo 4:34). Jesus, Pedro, Tiago e João completaram bem as suas carreiras missionárias. Complete a sua também. Você está ouvindo a Jesus ou está subindo em uma caixinha de fósforos para fazer os seus discursos?

5. Outros personagens bíblicos também terminaram bem as suas carreiras missionárias
É bonito ver Jacó despedindo-se de seus filhos e abençoando-os (Gn 49). De igual modo, é interessante ver Moisés sendo informado de que a sua hora chegara e de que o Senhor mesmo o recolheria. Apesar de que não foi permitido a Moisés entrar na Terra Prometida, ele foi fiel a Deus e esteve com Jesus no monte da transfiguração. Moisés soube a hora da sua morte e estava preparado para a mesma [iii]. Daniel, por sua vez, foi informado de que a palavra profética que ele proferira somente se cumpriria depois de muito tempo, mas completou bem os seus dias e a sua carreira missionária (Dn 12:9). “Tu, porém, vai-te até que chegue o fim; pois descansarás e estarás no teu quinhão ao fim dos dias” (Dn 12:13).
O apóstolo Paulo também terminou bem a sua carreira missionária. Ele não sabia o que escolher – ir para a presença de Deus, o que é bem melhor, ou ficar com os filipenses, entre os quais daria mais frutos, caso saísse da prisão. Ele esperava ser liberto (Fl 1:19), mas sabia que poderia ser executado em Roma (Fl 1:20; 2:17), como de fato foi. Apesar de tudo, ele terminou bem a sua carreira missionária. Antes de morrer, ele disse: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”(2Ts 4:7). E também: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Mas, se o viver na carne resultar para mim em fruto do meu trabalho, não sei então o que hei de escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Fl 1:21-23).
Vários personagens bíblicos souberam andar com Deus e terminar bem as suas carreiras missionárias. É possível terminarmos bem as nossas carreiras missionárias se nos mantivermos em comunhão com Deus, ouvindo a Jesus.

Considerações finais
Constatamos que, infelizmente, muitos bons missionários – bem selecionados, bem sustentados e com frutos ministeriais – não terminam bem as suas carreiras missionárias.
Sugerimos que, em alguns casos, a queda de missionários é precedida por um ciclo de bajulação, que produz arrogância, intolerância e independência (fase da caixinha de fósforos). O missionário, bajulado e envaidecido pelo sucesso ministerial, caminha por uma agenda cheia de sucesso e, então, deixa de ouvir a Deus. Por fim, sobrevêm a ele as tragédias que destroem lares, casamentos e ministérios.
Há também àqueles que não entram na fase do orgulho, mas por algum motivo sentem que precisam de mudar de lugar de trabalho e muitas vezes aí fazem as decisões erradas de suas vidas. Sem compreenderem que neste momento da vida, o mais importante teria sido ouvir a Deus atentamente, deixando de lado suas próprias frustrações, expectativas e explicações.
Vimos que Pedro, Tiago e João terminaram bem as suas carreiras missionárias. Embora tivessem tido dificuldades para ouvir a Jesus, eles O ouviram, até mesmo em Suas repreensões. Eles foram bem-sucedidos no papel de apóstolos de Cristo. No caso de Pedro e João, eles também foram bons missionários transculturais. Antes de morrer, Pedro continuou a ensinar aos outros e o fez até mesmo após a sua morte por meio das palavras que escreveu (2Pe 1:12 -16). João escreveu o livro do Apocalipse antes de morrer.
Também vimos que outros personagens bíblicos, como Jacó, Moisés, Daniel e Paulo, também souberam terminar bem as suas carreiras missionárias.
Consideramos que ouvir a Jesus faz parte de um processo constante de oração e estudo da Palavra e que precisamos fazer isso nem que tenhamos que organizar o nosso tempo para tanto. Os apóstolos elegeram diáconos para que pudessem se dedicar a ouvir a Jesus (At 6:2).
Sendo assim, eu pergunto: Como está o seu ministério? Você já ficou famoso? Você já ficou orgulhoso em função da sua fama? Você já não se importa em chamar pecado de pecado? Você não se importa com os seus conflitos carnais? Você já comprou a sua caixinha de fósforos? Você já alcançou seus 12-15 anos de campo? Começou a sentir que precisa mudar algo? Já está elaborando um belo discurso para explicar, para si mesmo e para os outros, porque precisa sair do campo? Lembre-se, o caminho para terminar bem a sua carreira missionária é ouvir a Jesus. Não podemos ser tão ocupados e famosos de modo que não tenhamos tempo para as Escrituras e para a oração. Ande com Deus. Deixe que Ele conduza os seus passos até que você termine bem a sua carreira missionária.
Ouça seus líderes, seja humilde. Infelizmente, há uma lista de ex-missionários. Eles eram bons e deram frutos, mas terminaram muito mal as suas carreiras missionárias. Lembre-se: “Quem pensa estar em pé, cuide para que não caia” (1Co 10:12).

[i] “Porque não seguimos fábulas engenhosas quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós fôramos testemunhas oculares da sua majestade. Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando pela glória magnífica lhe foi dirigida a seguinte voz: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo’; e essa voz, dirigida do céu, ouvimo-la nós mesmos, estando com ele no monte santo. E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações” (2Pe 1:16-19).
[ii] “Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará” (Jo 16:13-14).
[iii] “Naquele mesmo dia falou o Senhor a Moisés, dizendo: ‘Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo, que está na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que eu dou aos filhos de Israel por possessão; e morre no monte a que vais subir, e recolhe-te ao teu povo; assim como Arão, teu irmão, morreu no monte Hor, e se recolheu ao seu povo; porquanto pecastes contra mim no meio dos filhos de Israel, junto às águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim, pois não me santificastes no meio dos filhos de Israel. Pelo que verás a terra diante de ti, porém lá não entrarás, na terra que eu dou aos filhos de Israel’” (Dt 32:48-52).

  • Share/Bookmark

Tópicos: carreira missionária | Faça o primeiro comentário! »

FÓRUM PARA O CUIDADO INTEGRAL DE MISSIONÁRIOS – Janeiro 2010

Publicado pelo Forum | 16/01/2010

FELIZ ANO NOVO!!!!

Este ano temos muitos assuntos para trabalhar. Começamos tratando da necessidade de manter a vida devocional no campo missionário. Conto com suas colaborações e lhes desejo um ano cheio de frutos em suas vidas pessoais e no ministério também.

1. ASSUNTOS PARA 2010
2. VIDA DEVOCIONAL NO CAMPO MISSIONÁRIO Elias e Fokjelina Medeiros
3. CURSO NO CEM: ALARGANDO AS TENDAS
4. Links para um aprofundamento sobre este assunto
_________________________________________________________
1. ASSUNTOS PARA 2010

a) A necessidade de manter nossa vida devocional, pessoal e em família no campo missionário – dificuldades e sugestões…
b) Missões Urbanas.
c) Como atender os portadores de necessidades especiais, como dizem atualmente, PNES.
d) O fazedor de tenda e a igreja local… quem envia??? Existe prestação de contas para o fazedor de tendas? Como ele pode cooperar com os “missionários” que já estão no campo onde vão?
e) Namoro e casamento transcultural no campo – perigos e oportunidades de bênçãos.
f) Conflitos com a agência e igreja enviadora – como lidar com os mesmos?
g) Como ser uma igreja missionária e impecilhos da obra missionária dentro da igreja loca.
h) A mensagem do Evangelho é transcultural?
i) A vida acadêmica dos filhos de missionários, a questão da educação formal fora do Brasil e como fazer para que os nossos filhos sintam a ligação com o Brasil.
j) Trabalho em equipe, como apoiar um aos outros para estar saudaveis e eficazes no campo.
k) Parceria em missões: Trabalhando em grupos transculturais

2. VIDA DEVOCIONAL NO CAMPO MISSIONÁRIO
Elias e Fokjelina Medeiros
Duas expressões que precisam de clarificação: vida devocional e campo missionário. Vida devocional significa uma vida de devoção a alguém, algo, ou alguma causa. No nosso caso me refiro a vida de devoção ao Senhor da seara e dos ceifeiros (Mateus 9:37-38).11 Tal devoção inclue, como parte essencial, fundamental, e inegociável, o meditar diário na Palavra do Senhor a Quem servimos e conversa (oração) com este Senhor para Quem trabalhamos.
“Campo missionário” segundo o ensino das Escrituras é o mundo, todas as famílias da terra (Genesis 12:3), todas as nações (incluindo as nossa naçÃO-caracterizada por cultura e língua distinta ), todos os povos, todas as línguas. Jesus disse que “o campo é o mundo” (Mateus 13:38). O que caracteriza um campo como missionário não é a presença de um “missionário” mas a existencia dos perdidos. Portanto, o Brasil é campo missionário para os crentes no Senhor Jesus (quer brasileiros ou “estrangeiros”) trabalhando entre o povo ou entre outras etnias nas terras dos brasis. Da mesma forma os Estados Unidos é campo missionário para qualquer crente no Senhor Jesus, tanto americanos e “estrangeiros” que vivem e trabalham com o objetivo de alcançar os perdidos, plantar igrejas, e edificar o povo do Senhor nos EUA. Portanto, o que determina um campo como “missionário” é a presença de pessoas não-salvas, não-alcançadas (ou não-alcançáveis ainda).
A vida devocional no campo “missionário” é o exercício espiritual diário durante o qual nos alimentamos pessoalmente da Palavra de Deus e conversamos com o nosso Pai que está nos Céus (Mateus 6:9). Tal exercício em nossa experiência pessoal tem sido o fator decisivo no nosso crescimento e ministérios-crescimento na Graça, no conhecimento, e no gôzo do Senhor, envolvimento ativo na evangelizaçã/discipulado/edificação da igreja,(pregação e ensino a nível de pós-graduação do Elias, dedicação ao lar, estudos bíblicos, preparação para o ministerio para senhoras, da Fokjelina, relacionamento entre nós como marido e mulher, filhos, e netos, administração do lar, das finanças, e do tempo. “Quando orares, entra no teu quarto [todo servo do Senhor precisa de um tempo e lugar assim] e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê [e ouve] em secreto, te recompensará” (Mateus 6:6).
Estes 35 anos de ministério pastoral/missional na obra do Senhor foi gerada e é sustentada através do nosso tempo diário com Deus na meditação da Sua Palavra e oração. Elias sempre diz para os alunos: “Espero que o púlpito ou o campo nunca seja a motivação para vocês estudarem a Palavra. Oro que o estudo e meditação séria e diária da, e na, Palavra de Deus os motive diariamente a pregar e a continuar ministrando no campo.” Afinal, quando estudamos Mateus 28:18-20 percebemos que a primeira ênfase apresentada não é a comissão de “fazer discípulos de todas as nações.” A primeira ênfase é no comissionador: “Toda autoridade me foi dada nos céus e na terra.” Antes de enviar os Seus discípulos, Jesus Os chamou para Si. Portanto, antes de partirmos para a obra do Senhor, precisamos viver em intimidade com o Senhor. Antes de ensinar todas as cousas que o Senhor ordenou, precisamos conhecer (conhecimento e obediência = experiência) o Senhor e o que Ele ordenou. Lembremo-nos de Esdras:
“pois, no primeiro dia do primeiro mês, [Esdras] partiu da Babilônia e, no primeiro dia do quinto mês, chegou a Jerusalém, segundo a boa mão do seu Deus sobre ele. 10 Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos” (Esdras 7:9-10).
Progresso ministérial e “devocional” estão produndamente interligados.
Estes princípios têm nos sustentado no decorrer de nossa pergrinação desde o tempo que trabalhamos com evangelização e plantação de igrejas na região amazônica, plantação de igrejas urbanas na região do nordeste, deão acadêmico e professor do Centro Evangélico de Missões, e, agora ministrando nos Estados Unidos durante os últimos 20 anos. O Elias acabou de enviar um relatório ao seu Presbitério na Paraiba. Deixe-nos compartilhar a conclusão deste relatório onde ele ressalta “Alguns detalhes importantes para vida ministerial pessoal e trabalho pastoral.” Aqui seguem uma lista destes “detalhes.”
A leitura e meditação diária das Escrituras tem sido a maior fonte de renovação e alegria espiritual durante meus anos de ministério. Tenho, pela graça sustentadora de Deus, conseguido ler toda a Bíblia, pelo menos uma vez por ano. Tal disciplina espiritual tem me ensinado muito sobre como orar, como pregar, como lutar espiritualmente, e, especialmente, como compartilhar o evangelho com os não-crentes e como compartilhar as lições aprendidas e experimentadas com membros do corpo de Cristo. Tais oportunidades têm se apresentado quase diariamente no meu ministério.
Tenho dedicado tempo, pelo menos duas vezes por semana, para orar e dirigir/participar de um estudo bíblico com um grupo de estudantes do Reformed Theological Seminary. Reuno-me com aproximadamente 10 estudantes semanalmente (geralmente das 12:00 s 13:00 hrs) para lermos juntos livros completos das Escrituras. Alguns destes livros tem demorado, às vezes, mais de dois semestres para terminarmos a leitura, comentários, e aplicações do livro. Lemos juntos versículo por versículo com a participação de todos. Esta tem sido outra grande fonte de renovação ministerial. O Senhor tem aberto muitas portas para aprender dos estudantes como, também, para ensinar.
Outra fonte de bênção para meu crescimento espiritual tem sido um tempo diário para leitura da Palavra e oração com minha esposa. Deus tem nos dado oportunidade agora (os filhos estão todos casados e morando em suas próprias casas) para dedicarmos mais tempo em oração, e leitura das Escrituras, como casal. Fazemos isto, pelo menos duas vezes por dia. Aproveitamos tais momentos para compartilharmos juntos o que aprendemos do texto Sagrado, orarmos pelos filhos, netos, familiares, amigos, e necessidades outras.
Continuo, pela misericórdia do Senhor e motivação das Escrituras, lendo muito, mas tenho procurado gastar mais tempo na leitura, meditação, e compartilhamento das Sagradas Escrituras. Um dos problemas no ministério tem a ver com o fato de passarmos mais tempo lendo aquilo que outros escreveram sobre as Escrituras em vez de dedicarmos mais tempo sobre o texto Sagrado.
Recomendaria aos membros do Presbitério que formassem pequenos grupos (de 3 ou 4 pastores/presbíteros) para leitura e meditação semanal das Escrituras. Escolham um livro da Bíblia para lerem juntos. Separem um dia, uma hora e um local (casa, escritório, restaurante, café, etc) durante a semana para se encontrarem. Tragam as suas Bíblias, papel e lápis. Comecem a ler versículo por versículo de uma forma compassada. Dêem oportunidade para cada membro do grupo fazer algum comentário sobre o versículo (pergunta, observação, exemplo, aplicação, etc). Orem uns pelos outros, por suas igrejas, e pelo trabalho do Senhor em outros lugares do mundo. Os irmãos que estão em cidades distantes podem começar algo semelhante com alguns líderes das suas igrejas/congregações.
Que o Senhor nos abençõe e nos ajude a crescer na Graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo. Ouçamos o apóstolo: “Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto” (1 Timóteo 4:15).
Seus irmãos de peregrinação,
Elias e Fokjelina Medeiros
3. CURSO NO CEM: ALARGANDO AS TENDAS
O CEM, a AFTB e a Interserve Brasil apresentam o II Curso Intensivo para Profissionais em Missão:Alargando as Tendas (Is 54.2).
Um curso projetado para orientar e preparar o profissional que tem um compromisso de se dedicar à missão de Deus.
Este ano contaremos com a presença de Peter Shaukat (experiente profissional em missão e homem de negócios), Antônia Leonora Van Der Mer (coordenadora de desenvolvimento e professora do CEM), Durvalina Barreto Bezerra (diretora e professora do Seminário Betel Brasileiro), Nalina Samia (especialista em islamismo no Brasil), Philip Greenwood (diretor e professor do CEM) e Rev. Elben César (pastor e escritor).
O curso abordará os assuntos vida devocional, espiritualidade, batalha espiritual, base bíblica de missões, teologia do sofrimento, teologia do trabalho, o mundo muçulmano, missão empresarial, entre outros.
Venha, participe e seja melhor preparado para servir a Deus por meio da sua profissão!
Vagas limitadas!
Para mais informações ou inscrição clique aqui.
www.cem.org.br

4. Links para um aprofundamento sobre este assunto:

http://luizaugustobueno.blogspot.com/2009/10/devocao-e-espiritualidade-na-formacao.html

  • Share/Bookmark

Tópicos: no campo, vida devocional | 1 Comentário »

Boletim do COMIBAM Internacional

Publicado pelo Forum | 29/12/2009

Você pode ver o boletim do COMIBAM através do link http://www.comibam.org/docs/boletin1209.pdf

  • Share/Bookmark

Tópicos: notícias | Faça o primeiro comentário! »

Carta Missionária sobre o Natal

Publicado pelo Forum | 19/12/2009

Albânia, novembro de 2009.

Querido companheiro de ministério,

Como sempre, o ano passou voando. Parece que foi ontem que iniciamos o ano de 2009 e, no entanto, ele já está no fim. Dezembro é mês de festa. O comércio consumista do mundo ocidental garante mais dinheiro nas contas bancárias de muitos, dinheiro que é tirado da conta de outros através da exploração da emoção natalina pelo colorido verde e vermelho das árvores e dos enfeites e pelo velho de barba branca que faz ho, ho, ho e vende uma ilusão passageira.

Conto-lhe uma história da minha infância. Eu passei todos os Natais da minha infância na casa do meu tio, irmão da minha mãe, que também festejava o seu aniversário na mesma data. A esposa dele fazia aquela festa! Havia uma mesa enorme cheia de tudo – peru, maionese, arroz com amêndoas, diversos tipos de carnes assadas, doces de tudo, camafeu de nozes e até brigadeiro. Ah, também havia bolo – o bolo mais gostoso deste mundo! Era especialmente encomendado de uma boleira de uma cidade vizinha.

Além do mais, era Natal! Lá fora, um grupo de evangélicos, vizinhos do meu tio, cantava com vozes lindas Noite feliz. E não faltava o Papai Noel. O velhinho entrava na casa, escondido das crianças. Depois, os adultos nos diziam que ele tinha entrado pela chaminé. Ele vinha carregado com quatro ou cinco sacos cheios de presentes para todos nós, para os adultos e para as crianças. Era uma festa!

Quando eu tinha nove anos, porém, no Natal, eu vi que o Papai Noel era o Sr. Lalico. Eu vi o rosto dele atrás da máscara de velho. Eu contei para o meu primo Mário: Ele não é Papai Noel nada. É mentira! É o Sr. Lalico disfarçado! O meu primo contou tudo para a mãe dele, e ela me repreendeu por descobrir a verdade.

No outro ano, para enganar as crianças de novo, o Sr. Lalico foi à casa do meu tio como convidado, e o Papai Noel foi outro homem (acho que era o meu tio mesmo). Eu, porém, já compreendera a verdade, e eles nunca mais me enganariam! Até hoje, pela graça de Deus, eles não me enganam mais. Para mim, terminou a história do engano!

Por tudo isso, neste fim de ano, com sinceridade, eu me lembro, não somente em dezembro, mas no ano todo, em todos os meses, dias, horas, minutos e segundos, da verdade sobre o que o Cristo encarnado fez por mim e por todos quantos O recebem. Eu me lembro e celebro a verdade e não a mentira! Deus, em Cristo, reconciliou o mundo consigo mesmo por meio de Sua morte por nossos pecados e de Sua ressurreição, que significa a morte da morte. Ele a venceu e nos dá a vida – e vida eterna! E esta é a mensagem que prego todos dias aqui na Albania.

Diante disso tudo, o que posso dizer é que desejo que você tenha um bom fim de ano na presença de Deus e que tenha um ano de 2010 da mesma maneira. Que você celebre todos os dias a alegria da salvação em Jesus!

Najua Diba
Missionária na Albania
IPI Londrina & Missão Antioquia

  • Share/Bookmark

Tópicos: geral | Faça o primeiro comentário! »

FÓRUM PARA O CUIDADO INTEGRAL DE MISSIONÁRIOS – Dezembro de 2009

Publicado pelo Forum | 03/12/2009

“Você, mensageiro de boas notícias para Jerusalém, suba um alto monte; você, mensageiro de boas notícias para Sião, entregue a sua mensagem em voz alta. Fale sem medo com as cidades de Judá e anuncie bem alto ‘O seu Deus está chegando!’”
Isaías 40:9

UM NATAL DE MISSIONÁRIO

Esta é uma história verdadeira, que me foi contada pelo missionário GB, quando eu ainda morava em Minas Gerais.

Era Natal, e os missionários brasileiros haviam planejado fazer o culto na igreja que estavam plantando no Paraguai rapidamente, para depois se reunirem na casa de um deles e comemorar “em família”. E assim foi, fizeram o culto, saíram um pouco apressados, despediram-se dos participantes e chegaram ao carro.

Muito bem, o carro estava com problemas, o pneu havia furado e eles nem tinham percebido antes. Como consertar o pneu naquele lugar um tanto isolado? As pessoas perceberam que algo estava errado, os brasileiros não estavam indo embora, e vieram ver qual era o problema. Chega um, chega outro… Foi demorando, ninguém conseguia resolver o problema rapidamente. Com isso, passou-se uma hora mais ou menos e o grupo de interessados em ajudar havia aumentado muito.

Quando finalmente estava tudo pronto para partirem, GB olhou em volta, e, vendo a multidão que havia se prontificado a ajudar, teve a brilhante idéia de aproveitar a oportunidade e pregar o Evangelho. Como resultado, naquele fim de tarde, algumas pessoas aceitaram a Cristo como seu Salvador.

A festa dos brasileiros foi adiada, porque aquele dia era dia de festa no céu! (Lucas 15:10) O Natal, que comemora a vinda de Cristo ao mundo, comemoraria a vinda de Cristo na vida daquelas pessoas, amadas por Deus, que receberam esta notícia naquele dia. O verdadeiro Natal não é uma festinha “só para os nossos”. É uma celebração inclusiva, que deve ser anunciada de um monte alto, em voz alta: ‘O seu Deus está chegando!’ E isso é motivo de alegria e júbilo!

Quando nos deparamos com imprevistos, a tendência é começar a reclamar, a perguntar por que as coisas não correram como esperávamos. Mas o que são os nossos planos diante dos planos de Deus? Os imprevistos de Deus escondem oportunidades para fazermos Sua vontade ao invés da nossa.

Que todos vocês possam ter um NATAL MUITO FELIZ, e que Deus possa renovar em nós para 2010 o espírito missionário que enxerga além de imprevistos e vê as oportunidades que Ele está colocando diante de nós.

Um abraço caloroso,

Marta Carriker

PS Que tal pensarmos quais assuntos seriam interessantes para tratarmos no fórum no ano que vem? Eu proponho um:

1) Parceria em missões: Trabalhando em grupos transculturais.
2)

Que tal sugerir outros?

  • Share/Bookmark

Tópicos: geral | Faça o primeiro comentário! »

FÓRUM PARA O CUIDADO INTEGRAL DE MISSIONÁRIOS – Novembro 2009

Publicado pelo Forum | 27/11/2009

CRIANDO CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS
Marta Dias Hoadley

Crianças com necessidades especiais são aquelas que demandarão maiores cuidados, investimentos, atenção e preocupações bem maiores do que normalmente uma criança com desenvolvimento normal exige dos pais e educadores.

Quando um casal planeja ter um filho, imagina o quanto será maravilhoso vê-lo se desenvolvendo normalmente Para um casal de missionários, as expectativas são maiores com relação à aquisição da linguagem. Espera-se que seu filho aprenda a falar simultaneamente duas ou mais línguas.Há também a expectativa de que vão amadurecer mais cedo devido ao contato com outras culturas e a constante mobilidade da família.

Ter expectativas positivas é muito bom. Cria-se um ambiente alegre, animado e seguro.
Mas, o que acontece quando todos esses planejamentos são frustrados? O mundo pode desmoronar-se à medida que os pais percebem que o desenvolvimento de seu filho não está acontecendo dentro de um padrão considerado normal.

Esse artigo se propõe a falar da criação de uma criança com necessidades especiais abrangentes, especificas, definidas por profissionais habilitados. Necessidades que não são passageiras.Elas acompanharão a criança pelo resto de sua vida e seu desenvolvimento dependerá do quanto seus pais a amarão e investirão para que desenvolva bem todas as suas potencialidades.

Algumas deficiências podem ser percebidas cedo como cegueira, surdez, comprometimento motor ou danos cerebrais. E elas podem ser de grau leve, moderado, grave ou severo.Mas, há outras que se apresentam ou que se acentuam mais tarde. E se referem ao nível comportamental.Algumas síndromes só são diagnosticadas depois que a criança atinge uma certa idade e não houve desenvolvimento da linguagem.
.
A aquisição da fala:

Os pais devem estar atentos ao desenvolvimento da comunicação verbal do seu filho.Ela é um marco no processo cognitivo da criança.

Há algumas razões pelas quais a criança pode demorar a falar. O ambiente em que vive pode ser um deles.Se há ou não estímulos, se ele é falante ou não, se é falado mais de uma língua são alguns exemplos.

O desenvolvimento da linguagem verbal também pode ser atrasado ou impedido se os centros da fala no cérebro não forem normais, ou se houver alguma anormalidade na laringe, garganta, nariz, língua ou lábios. A ausência da linguagem pode ser indício de síndromes como a de angelman e autismo. Fonoaudiólogos afirmam que, quanto mais cedo possível deve se averiguar se há problemas, pois quanto mais nova for a criança, maiores serão as chances de seu tratamento ser bem sucedido.

O que fazer?

O primeiro passo é descobrir, com certeza o que a criança tem, para lhe dar o melhor tratamento possível. Em alguns casos, para se saber o diagnóstico certo, será preciso uma série de exames, passar por uma junta médica que avaliará com exatidão o que a criança tem e quais são as chances de desenvolvimento. Esse diagnóstico pode levar meses, anos, até ser concluído.

Psiquiatria, neurologia, e outros campos como a fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia poderão fazer parte da rotina diária da criança com necessidades especiais.

No campo educacional, terá que fazer importantes decisões.Alguns especialistas acreditam que as crianças com necessidades especiais aprendem mais quando estão em salas de aulas com outras do mesmo nível. Outros educadores acham que ela deve ser integrada numa uma sala de aula comum.Creio que pais sensíveis e comprometidos saberão fazer a melhor escolha.

Se esse casal se encontra num país onde a medicina está avançada e há um atendimento público de qualidade, poderão eles seguir em frente no seu ministério mesmo sabendo que os cuidados com sua criança lhe demandarão muito mais tempo e finanças. Para isso o apoio da igreja é imprescindível.

Porém, se estiverem num país onde os recursos são escassos, ou inexistentes? O que fazer? Que decisão tomar? Voltar ao país de origem onde supostamente terão mais condição de criá-lo bem? Qual deve ser a orientação que a igreja deve dar a esses missionários? A quem devem eles priorizar? O ministério? O cuidado com a família?

Como se não bastassem essas questões de ordem lógica e normal, há ainda as questões de origem espiritual. Perguntas que os missionários farão no mais íntimo do seu coração. Por que Deus permitiu acontecer isso comigo? Por que ele não cura o meu filho para que possamos desenvolver nosso ministério com tranqüilidade?

O sofrimento, a angústia, a frustração podem ir aumentando a medida que essas perguntas se avolumam e não se obtém as respostas desejadas.Os pais experimentarão sentimentos conflitantes e, pasmem, normais de culpa, raiva, esgotamento, embaraço, isolamento, insatisfação, prisão e outros semelhantes.

Esses sentimentos podem piorar à medida que surgem os “consoladores de Jó” Conselhos como “vocês precisam orar mais, ter mais fé, entregar para Deus, ou descobrir onde pecaram” poderão surgir. Essas frases não auxiliarão e sim abalarão mais ainda as estruturas emocionais já tão frágeis desses pais em crise.

Onde está Deus e a igreja no meio disso tudo?

Não devemos esquecer da célebre resposta de Jesus aos discípulos quando estes perguntaram, quem pecou para que este homem nascesse cego? Foi para que se manifestassem nele a glória de Deus. Muitas das adversidades vêm com esse propósito, embora no momento não as compreendamos, nem aceitemos. Mas, há situações em que o Senhor não intervém da maneira como gostaríamos ou pedimos. Então, a manifestação da glória de Deus nem sempre significa cura imediata ou total. Ela pode se manifestar de outras formas e o aprendizado que se obtém é muito rico.

A igreja precisa estar ciente de que é possível e natural nascer um filho com necessidades especiais num lar cristão, inclusive no de um casal de missionários.

A igreja precisa estar preparada para auxiliar nesse momento. Aconselhar, dar direcionamentos para tomarem as decisões certas. Saber que essa criança demandará mais tempo dos pais, maior investimento financeiro.Cuidar para não cobrar deles algo que no momento não podem oferecer. Passada a crise, e, sendo bem orientados, esses missionários poderão voltar ao campo ou ter um redirecionamento e trabalhar numa área onde, com tranqüilidade, poderão continuar o seu ministério, sendo eficientes e dando muitos frutos.

Bibliografia

Michael Meyerhoff, Ed.D.. “HowStuffWorks – Compreendendo as necessidades especiais infantis”. Publicado em 10 de julho de 2006 (atualizado em 11 de abril de 2007) http://saude.hsw.com.br/necessidades-especiais-infantis.htm (16 de janeiro de 2008).

Vigotski L.S. – A formação social da mente.Martins fontes.são Paulo 2003

Biblia Sagrada edicao revista e atualizada.

PARA PENSAR: Fatores ambientais, congênitos e hereditários são causas comuns do atraso do desenvolvimento da criança.

A organização mundial da saúde estima que…

“10% da população de qualquer país é portadora de algum tipo de deficiência. Assim, calcula-se que no Brasil há cerca de 16 milhões de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, seja ela física ou mental”

  • Share/Bookmark

Tópicos: educação dos filhos, no campo | Faça o primeiro comentário! »

Publicado pelo Forum | 27/11/2009

Outubro de 2009

Aos poucos o projeto de cuidar da vida emocional dos missionários em campo transcultural começa a tomar forma. Ainda no Brasil, parecia um sonho muito distante e sem possibilidade de ser implementado. Contudo, Deus tem fornecido as primeiras peças e os cenários necessários para o trabalho. De uma coisa eu já estou bem certa, o campo é bem extenso e há muito serviço aguardando para ser feito nesta área.

Neste momento estou de volta a Cape Town onde desenvolvo os estudos da língua inglesa, grande ferramenta para este projeto, e por bondade de Deus, nesta semana iniciei junto a outros missionários um estudo bem básico da língua francesa. Embora cansada com as tarefas e o ritmo de vida que já tenho até aqui, não quis desperdiçar a chance de me introduzir em mais uma língua muito falada no continente africano. De posse de um bom inglês e um francês pelo menos básico, poderia viajar para vários campos desse continente conseguindo uma boa comunicação com o povo local e os grupos de missionários. Além disso, considero que talvez Deus tenha planos que eu mesma ainda desconheço.

Retornei de Moçambique em 10 de outubro, onde estive por duas semanas bem intensas realizando entrevistas e atendimentos clínicos a missionários de diversas agências, denominações, estado civil e nacionalidade. Foi um tempo bastante produtivo em vários sentidos: (1) para coleta de dados da pesquisa do mestrado, (2) para mim como missionária em estágio transcultural, e (3) para muitos irmãos que ali estão servindo e necessitando de ajuda psicológica, para entender melhor seus processos e se possível arrumar alguns sentimentos e adoecimentos emocionais, fortemente promovidos pelo estresse dos anos de campo.

Ao fim das duas semanas, tendo conversado com pelo menos 25 missionários, oferecido em torno de 30 horas só de atendimento clínico, além das entrevistas, organizado vários dados para pesquisa e feito diversas viagens no trecho que cobre três distritos (Beira, Dondo e Chimoio), muito cansaço físico, emocional e espiritual me acometeu. Contudo, retornei para África do Sul com duplo sentimento: o de missão cumprida dentro do que havia estabelecido como meta e estava ao meu alcance realizar em tão pouco tempo; e um grande pesar por saber que a situação que encontrei naquele pequeno trecho de Moçambique, se repete em diversos campos por este mundo afora.

Um pouco de Moçambique: Esta é a tradicional “capulana” (pano amarrado em forma de saia) bastante utilizado pelas mulheres moçambicanas. Tive que vesti-la para ir ao culto no domingo.

As edificações da cidade da Beira, todas nesse tom amarelo-cinza envelhecido, retratam o descaso do governo e do próprio povo, que após a retirada abrupta dos colonos portugueses em 1975, se apossaram das residências e vivem aglomerados, às vezes em altos prédios, sem sistema de água encanada ou energia elétrica.

Visita da APMT e SAF/ IPB: Ainda no mês de setembro, tivemos a visita de uma comitiva liderada pelo Rev. Marcos Agripino (Diretor Executivo da APMT – Agência Presbiteriana de Missões Transculturais), com o objetivo de visitar os campos e projetos da IPB na África do Sul, Angola e Moçambique e promover novas parcerias. Nesta ocasião tive a rica oportunidade de conversar sobre o trabalho que tenho desenvolvido de cuidado aos missionários, bem como sobre o processo de candidatura e preparo dos mesmos. Estamos orando pela possibilidade de trabalharmos juntos neste intuito.

Meditando sobre o assunto: Apenas uma hora! Era só isso que o Senhor Jesus reclamava de seus discípulos enquanto sofria angústias profundas no Getsêmane, que antecedeu sua crucificação. “E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?” (Mt 26:40). É bem estranho imaginar que o Criador e Rei do universo um dia necessitou da companhia de pessoas para suportar suas angústias. Respeitando as devidas proporções da missão e da natureza de Cristo, humanamente falando, esta me parece uma boa figura quando pensamos em tantos cristãos servindo em campos missionários, em situação de risco, esgotamento e extrema angústia, almejando compartilhar do seu sofrimento ao menos uma hora. Este é um ministério que tenho apreciado muito fazê-lo. É um trabalho difícil e totalmente diferente do que eu costumava desenvolver como liderança de igreja local. Por isso preciso aprender fazendo, não há outro caminho. E tenho mesmo muito que aprender vendo e ouvindo estes preciosos irmãos que se tornaram o meu campo missionário.

Agradeço a todos pelas orações, mensagens enviadas e até pelos telefonemas. Muito obrigada mesmo, tem sido muito importante para me reabastecer e me possibilitar passar por este estágio e ainda fornecer alguma ajuda àqueles que sofrem. Continuem orando pelo andamento do projeto, pelo estabelecimento das parcerias certas, planejamentos para o próximo ano, treinamentos, sabedoria para os atendimentos que realizo e segurança nas viagens. Orem pela minha saúde e vida com Deus. E finalmente, orem para que os recursos necessários cheguem até mim para serem devidamente aplicados na expansão do projeto.

No amor de Cristo Jesus,

Verônica Farias

  • Share/Bookmark

Tópicos: atividades de cuidado integral de missionários | Faça o primeiro comentário! »

FÓRUM PARA O CUIDADO INTEGRAL DE MISSIONÁRIOS Outubro 2009

Publicado pelo Forum | 29/10/2009

1. PREPARO PROFISSIONAL PARA SERVIR EM CAMPOS DE ACESSO RESTRITO D. César

PREPARO PROFISSIONAL PARA SERVIR EM CAMPOS DE ACESSO RESTRITO D. César
Maria fez nutrição numa boa faculdade. Paralelamente, tentando driblar a falta de tempo, aprimorou seus estudos de inglês, mas também sempre reservou tempo para se engajar no movimento estudantil cristão. Depois fez pós em saúde pública e, durante as poucas férias que tinha, orientada por seu pastor e pela secretária de missões da igreja, conseguiu aproveitar o tempo livre para fazer um curso de missões transculturais. Depois de dois anos de experiência profissional no Brasil, Maria procurou uma agência missionária e se apresentou para ir e servir em sua área. A agência deu a ela seis opções de lugares para onde ela poderia ir – todas as opções em países de acesso restrito a missionários. Ela escolheu um país no sul da Ásia e hoje está trabalhando num projeto de desenvolvimento comunitário na prática da missão integral. Ela trabalha nas áreas de avaliação nutricional, elaboração e acompanhamento de cardápios no Centro de Recuperação Nutricional da comunidade, que presta assistência a crianças desnutridas e suas mães, e ainda participa de uma equipe multidisciplinar na pesquisa de novas alternativas alimentares para a população local.
Fernando terminou muito bem o segundo grau, mas sua paixão sempre foi o futebol. Na ansiedade de logo ir para o campo missionário, fez um curso rápido para se tornar treinador (não o curso da FIFA). Em três meses, sua agência o conheceu e enviou para o campo. Como seu certificado não era reconhecido internacionalmente e ele ainda não tinha uma proposta de trabalho, Fernando acabou tendo muitos problemas. Seu visto de turista vencia a cada três meses e as pessoas – muito curiosas naquele contexto cultural – o atormentavam com a pergunta frequente sobre o que ele estava fazendo ali, já que não tinha ainda conseguido um trabalho como treinador de futebol.
Estas duas estórias, provocativamente contrastantes, ilustram um pouco do que tem acontecido no movimento missionário entre profissionais em missão. O sucesso ou o fracasso no campo dependem muito do preparo profissional anterior.
Os líderes mais experientes em missões concordam que um bom preparo profissional abre muitas portas e capacita o profissional missionário a exercer um trabalho produtivo no campo, transcultural ou não. Além disso, a história de missões é cheia de exemplos que ilustram isso. Por exemplo, os moravianos e a escola de Basiléia ilustram bem as vantagens de quem harmoniza o serviço prático ao próximo com o testemunho sobre Jesus.1
Mas o que significa um bom preparo profissional?
1. Escolha da profissão
Tudo começa na escolha da profissão. Não é fácil, principalmente diante das inúmeras opções do mercado atual de profissões, aliado à falta de autoconhecimento, experiência e maturidade, próprios da adolescência.
Alguns estudantes secundaristas, com o sincero desejo de servir a Deus em missão, nos perguntam qual profissão é mais requerida no campo. Eles querem tanto ir, que às vezes escolhem a profissão pela demanda do campo, e não tanto pelas habilidades próprias.
A pergunta deveria ser outra: que profissão mais se adéqua às minhas capacidades, habilidades e possibilidades? O que eu gostaria de fazer para contribuir com a sociedade?2
Cremos que Deus dá habilidades e capacidades para cada pessoa de forma única. E cada pessoa vive em um contexto único de filiação, condição econômica, localização geográfica – uma séria de fatores que vão determinar, pelo menos em parte, em qual faculdade ou universidade esta pessoa poderá estudar, e quais cursos lhe serão acessíveis.
Como Deus criou o trabalho humano, e Ele mesmo trabalhou, deixando-nos o exemplo, temos certeza de que quase todas as profissões e tipos de trabalho humano são honrados por Ele e úteis no mandato cultural – o cuidado com a criação.3 Temos várias profissões exemplificadas na Bíblia: agricultor, pastor de ovelhas, boiadeiro, empregado doméstico, administrador, estrategista, juiz, músico, artista plástico, ferreiro, ourives, artesão, carpinteiro, construtor, político, pescador, costureiro, comerciante, pessoa de negócios… até “fazedor de tendas” – que, melhor traduzido, deveria ser feitor ou fabricante de tendas.
Nem só de enfermeiros e professores de inglês vive o campo missionário… Na Interserve, agência com grande número de profissionais em missão, há pessoas servindo em um leque de cerca de 50 profissões. Isso é muita coisa! Há muitas áreas para servir. Até mesmo a área de direito… (Os estudantes de direito sempre nos perguntam, já esperando a negativa, sobre área de trabalho para eles no campo missionário… Se o estudante se especializar em direito internacional, Deus pode usá-lo em várias partes do mundo e em posições estratégicas, importantes para a humanidade. Há advogados cristãos trabalhando também na área de defesa dos direitos humanos, empenhados na busca de justiça e defesa de pessoas exploradas, abusadas, oprimidas, tanto pela cultura em que vivem quanto pelos sistemas religiosos totalitários, onde se encontra a igreja perseguida.)
Concluindo, a questão prioritária na escolha profissional não é qual a área mais necessária no campo, mas, sim, qual a área em que Deus me capacitou para servir.
2. Preparo profissional
Seria “chover no molhado” gastar tempo nesta parte. Há muita coisa bem melhor por aí, indicando como o estudante deve se tornar um bom profissional: ingressar em uma boa faculdade, dedicar-se aos estudos, manter um bom coeficiente de rendimento, estudar inglês e informática, candidatar-se a bolsas de aperfeiçoamento, fazer estágios, talvez até um intercâmbio em outro país etc.
Segundo Ledo, independentemente da área em que vá atuar, espera-se do profissional as seguintes características:4
• Conhecimento de informática e domínio de um segundo idioma;
• Constante preocupação em aprender cada vez mais, procurando a especialização no que faz;
• Competência para identificar e resolver problemas;
• Habilidade para comunicação;
• Visão critica e ampla das atividades que desempenha;
• Lógica de raciocínio;
• Habilidade para trabalhar em grupo.
Tudo isso é muito importante mesmo. Mas o estudante cristão, que deseja servir futuramente em missão, não pode seguir a correnteza e zelar “apenas” pelo lado profissional. Carreira virou um deus para muita gente hoje. Se o bom desempenho estudantil e profissional, assim como a carreira, tomar o lugar prioritário na vida de um vocacionado, ele poderá esquecer seu compromisso missionário de longo prazo e passar a viver para a profissão. Isso é um risco muito grande.
3. Caminhar com um mentor
Para não sucumbir ao risco de endeusar a profissão, e tornar-se escravo dela, seria ideal para o estudante cristão ter um mentor. Este mentor poderia ser uma pessoa madura, que já passou da fase de estudante e dos primeiros anos de exercício da profissão, que tem ampla visão de reino, boa compreensão da missão integral e das necessidades do campo. Sempre que possível, deve ser alguém da mesma área do “mentoriado”.
Este mentor deveria se encontrar esporadicamente com seu discípulo, orar e conversar sobre a vocação e sobre o preparo profissional, mas também sobre as outras áreas da vida. Mesmo um encontro anual pode fazer grande diferença! O mentor deve então lembrar amorosamente o estudante ou jovem profissional “aquele” compromisso missionário feito anos atrás, no ardor da adolescência ou juventude. Quantas pessoas têm retornado à missão por causa de um “toque” carinhoso de um amigo desse tipo! E quantos têm abandonado o compromisso inicial, até mesmo a fé, por falta de alguém que o encoraje a se manter no Caminho!
Tudo indica que Paulo foi uma espécie de mentor para Priscila e Áquila. Eles, por sua vez, ajudaram Apolo a “entrar nos trilhos”. Paulo e o casal Priscila e Áquila tinham o mesmo ofício e o mesmo amor pela expansão do reino. Um estudo mais detalhado da vida do casal mostra que, como Paulo, eles também acabaram viajando pelos campos e apoiando as diferentes igrejas por onde passavam.5 Paulo imprimiu seu caráter neles – caráter que, por sua vez, Cristo havia imprimido em Paulo. Isso nos lembra a passagem paulina sobre o discipulado e a importância de ser e ter um mentor na caminhada cristã: “E o que de minha parte ouviste [...], isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros” (2 Timóteo 2.2).
Como exemplo, conhecemos um engenheiro enviado por uma agência missionária que está servindo como diretor de uma empresa em um país de acesso restrito. Seu mentor (digamos assim… talvez ele nem saiba que é seu mentor!) é uma pessoa de caminhada missionária mais longa e também é um engenheiro – tem a mente de engenheiro, pensa como engenheiro. Hoje este engenheiro no campo tem toda qualificação para também se tornar um mentor de algum engenheiro mais novo, que esteja no início da caminhada missionária.
4. Preparo paralelo
Temos visto que o melhor profissional em missão é aquele que tem a mente aberta, vida de comunhão e serviço na igreja local, sabe se relacionar com humildade e amor, tem coração de servo.
Todas essas qualidades envolvem um preparo anterior, que deve começar muito antes, na família, na igreja local e na comunidade. Até mesmo as empresas seculares têm procurado profissionais cujo currículo mostra não apenas a dedicação à profissão, mas engajamento político, social e comunitário, interesse em hobbies e em outras áreas, não relacionadas ao trabalho da empresa.
Em relação à igreja local, poucas igrejas possuem um programa voltado para vocacionados para missões – menos ainda, para os vocacionados que desejam servir com suas profissões e habilidades no campo missionário. É interessante que as igrejas prontamente apoiam, acompanham, testam, sustentam e enviam os vocacionados para o ministério pastoral. Mas isso raramente acontece com os “demais” vocacionados. É importante iniciar um programa desse tipo. A própria igreja pode indicar o mentor para o seu vocacionado e dar as diretrizes básicas para testar sua vocação e prover o melhor preparo.
Outro preparo fundamental é o preparo em missões, ou preparo missiológico. É um verdadeiro desafio oferecer um modelo de preparo missionário para o profissional, de modo que ele consiga conciliar o tempo com as diversas áreas de sua vida, como preparo acadêmico, trabalho profissional, igreja, família etc. Mas é possível e importante.6
O aspirante a profissional em missão precisa reservar este tempo precioso para se preparar em missões, optando pelo modelo que melhor se adéque às suas atividades.
Cremos que a melhor opção é um curso de missões presencial – nada substitui a vivência num ambiente de relacionamento com colegas e professores, já que o aprendizado não é apenas um processo intelectual, mas relacional, espiritual e de se inspirar em bons exemplos. Na impossibilidade disso, existem hoje outras opções, como cursos a distância e cursos intensivos, estes geralmente em períodos de férias ou feriados prolongados.7
Um líder internacional de uma missão que envia profissionais resumiu assim as características do tipo de pessoa que a agência procura:8
1. Alguém com o coração de servo. Pronto para servir no país debaixo da autoridade e direção dos cristãos nacionais.
2. Alguém com uma visão de mundo abrangente – maior do que a visão circunscrita na igreja local. Uma visão interdenominacional.
3. Alguém pronto para a vida em equipe. Haverá pessoas na equipe que não são ‘do seu jeito’. Uma atitude de prontidão para trabalhar junto, em união, na equipe.
4. Alguém pronto para crescer nas disciplinas espirituais. Haverá tentações maiores quando se está fora da ‘zona de conforto’. Alguém que possui um mentor, a pessoa com quem pode conversar e para quem vai ‘prestar conta’.
Conclusão
A profissão jamais deve ser vista como um disfarce, pretexto ou passaporte para entrar em países de acesso restrito. Por isso o cristão vocacionado deve ser orientado a procurar o melhor preparo possível, tanto acadêmico quanto profissional, e nas diversas áreas da vida. Este preparo integral vai abrir portas, facilitar seu ingresso e serviço sacrificial no lugar onde Deus o chamar para servi-lo.

3. AINDA PARA 2009
1. Criando crianças com necessidades especiais
Se você tem algo a dizer sobre esse assunto, mande para marta.carriker@Gmail.com

  • Share/Bookmark

Tópicos: geral, preparo, pré-campo | 1 Comentário »

FÓRUM PARA O CUIDADO INTEGRAL DE MISSIONÁRIOS Setembro 2009

Publicado pelo Forum | 24/10/2009

1. A RELEVÂNCIA DO APRENDIZADO E USO DA LÍNGUA
Ronaldo Lidório

2. SEM TER COMO RESPONDER
Marta Carriker
3. OUTROS ASSUNTOS PARA 2009
4. LINK PARA ENTREVISTA COM JOÃO MARCOS
________________________________________________

1. A RELEVÂNCIA DO APRENDIZADO E USO DA LÍNGUA
Ronaldo Lidório

A relevância do aprendizado e uso da língua
falada pelo povo com o qual você tenciona interagir
é acentuada, seja para uma boa interação social ou
para o desenvolvimento de um projeto. Nenhuma
pessoa poderá de fato comunicar uma mensagem
relevante, profunda e complexa, senão na língua
daquele que ouve. Qualquer outra tentativa, mesmo
que pontualmente viável, virá com certo grau de
frustração e prejuízo.

Um dos maiores equívocos no processo do
aprendizado de uma nova língua é distinguir a
aquisição lingüística da aquisição cultural. A língua
é uma expressão cultural e, deste modo, está
revestida de simbolismos, cosmovisão, costumes e
história. Aprender uma língua em ambiente de
gabinete dificilmente levará alguém ao trânsito livre
entre o povo-alvo. É necessário, portanto, que a
aquisição cultural caminhe de mãos dadas com a
aquisição linguística.

ADAPTAÇÃO CULTURAL E O APRENDIZADO DE LÍNGUAS
O chamado choque cultural é um fator
reacionário que pode inibir o aprendizado de uma nova
língua. Nesta fase, se for acentuada, o estudante passa
a ter dificuldades de estar e transitar entre o povo.
Também não se sente fortalecido emocionalmente o
suficiente para aprender a nova língua com alegria.
Algumas atitudes colaboram para que você possa
tanto se adaptar melhor ao novo contexto quanto à
nova língua. Vão adiante alguns conselhos.
Considerações culturais no aprendizado da língua

Não faça de sua moradia um lugar de refúgio.
Portanto, transite pela comunidade, esteja (se
possível) na casa das pessoas e vizinhos, reúna-se
com outros em lugares públicos e freqüente seus
ambientes de trabalho. Quando a casa se torna um
local de refúgio a tendência do estudante de uma nova
língua, que se encontra em ambiente distinto, é criar
ali um cenário de exclusão, ausente do povo. Abra as
portas de sua casa (respeitando os seus próprios
limites de privacidade) para que eles também
freqüentem sua habitação.

Controle a visão crítico-comparativa.
Ela pode impedir uma adaptação mais rápida e
fácil. Comparar os elementos de vivência (moradia,
relacionamento, perfil, alimentação, etc.) do grupoalvo,
ou de seu ambiente, com a sua cidade, casa ou
país é um erro fatal que gerará apenas um coração
pesado com dificuldade de aproveitar as belas
oportunidades de convivência e aprendizado.

Não transforme o seu companheiro em
intérprete cultural e lingüístico.
É natural que, se vocês forem casados ou
companheiros de estudo dessa nova língua, um se
desenvolva mais rapidamente que o outro. Raramente
pessoas caminham no mesmo ritmo. Assim, não
transforme o seu companheiro de estudo, que estiver
um pouco mais à frente ou demonstre mais facilidade,
em seu intérprete cultural e lingüístico. Tenha suas
próprias experiências, cometa seus próprios erros e
se relacione diretamente com o povo. Lembre-se que
o povo é a melhor fonte de informação, e na coleta
dessa informação (mesmo que já esteja acessível com
o companheiro ao lado) você ganha na interação
humana, relacionamento e aprendizado lingüístico.

Ande diariamente dentro da circunferência cultural.
Exponha-se ao povo, cultura e ambiente onde
você está inserido no aprendizado de uma nova língua.
Planeje que horário você irá sair, diariamente,
para andar e estar na circunferência cultural. Este planejamento
é importante sobretudo para aqueles que
são mais retraídos ou preferem estar em casa. Ao se
relacionar com outras pessoas e praticar a língua que
está aprendendo saiba que cometerá muitos erros, eles
são necessários neste processo. Tenha senso de humor.

Mantenha-se aberto a novos costumes e
sistemas.
O tempo e a forma irão mudar se você estiver
inserido em um povo com grave distinção cultural. E
talvez estes dois, tempo e forma, sejam os elementos
que mais geram desconforto. Se a forma de transmitir
conhecimento é por meio da repetição, em um
ambiente de tempo cíclico por exemplo, acostumese
a ouvir a mesma história 15 vezes por noite. A
melhor maneira de minimizar o desconforto
relacionado ao tempo e à forma é a participação.

Adapte-se, para que se sinta bem e integrado
ao contexto.
Adaptar não é criar conceitos de diversão,
modo de vida, moradia, etc., mas transferir seus
conceitos formados e encaixá-los na cultura em que
você se encontra. Depressão, sentimento de perda,
saudades e sentimento de incapacidade nos primeiros
meses possivelmente ocorrerão. Em algum nível
alguns destes sintomas devem acontecer. Tenha
paciência durante este período de adaptação, ore e
peça que o Senhor o ajude a perseverar.

* Este texto é uma colagem de partes do texto de Ronaldo Lidório, com sua permissão. Veja e se desejar compre o texto em www.instituto.antropos.com.br/e-books
Dialektos.pmd 103-105 26/09/2008, 14:38

2. SEM TER COMO RESPONDER

Uma das experiências mais esquisitas que já tive com línguas, e olha que eu adoro línguas, foi em Los Angeles. Eu e o Timóteo gostamos de passear, ver coisas diferentes, e fomos conhecer China Town. Achei tudo meio antigo, muitos dragões, coisas do tipo. Mas, gostamos de conhecer. Na saída, eu vi umas hortelãs crescendo na beira da calçada e resolvi pegar uns raminhos para um chá.
Duas chinesas mais velhas se aproximaram e despejaram sua reação em sons que para mim não faziam o menor sentido. Parecia que me excomungavam até a milésima geração! Talvez dissessem: “Sua diaba estrangeira! Como pode vir roubar nossa hortelã? Suma do nosso bairro, e não volte nunca mais!” Mas pode ser que, na verdade, diziam: “Essa hortelã era pra filhinha da nossa amiga. Está com seis meses de idade e queríamos que ela experimentasse! Plantamos há três meses, e quando as primeira folhinhas estavam bonitas, você vem e pega?”
E eu, parada, boquiaberta diante delas, poderia ter dito: “Lá no Brasil, meu país, a gente gosta de hortelã. É bom para um chá, especialmente com erva cidreira. Ajuda a levantar os ânimos! Isso me lembra da minha avó. Estou com saudades do Brasil, e já que estava na calçada, achei que não teria problema….
Poderia ter dito isso… Mas não pude, faltou a língua! Saí de fininho, bem sem graça.
Sei que vocês passam por situações de desentendimento em seus ministérios. É normal, e nem sempre é por falta da língua. Mas, sem a língua, até suas melhores intenções ficarão perdidas no mistério de sons ininteligíveis e palavras pensadas que nunca encontrarão expressão.
Por isso, invistam em conhecer a língua e a cultura, as expectativas e as intenções do povo a quem Deus os enviou! E que vocês jamais sejam pegos “sem ter o que responder”! Um abraço,

Marta Carriker
3. OUTROS ASSUNTOS PARA 2009
1. Treinamento profissional antes de ir a campos “fechados” para obreiros
2. Missionários no campo, sem preparo
3. Criando crianças com necessidades especiais

Se você tem algo a dizer sobre qualquer um desses assuntos, mande para marta.carriker@Gmail.com e contribua para tornar o fórum mais relevante para todos!!! Deus o abençoe!
4. LINK PARA ENTREVISTA COM JOÃO MARCOS

Como muitos sabem, o João Marcos tem sido parte desse ministério de Cuidado Integral dos Missionários há muitos anos. Ele deu uma entrevista à Ultimato que está “imperdível”. Recomendada por Cecilia da JAMI. Dê uma olhada: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&secMestre=2488&sec=2507&num_edicao=320

  • Share/Bookmark

Tópicos: aprendizagem de língua, no campo, preparo | Faça o primeiro comentário! »


« Notícias Anteriores