Quem somos?

Somos missionários, professores de missões, profissionais da saúde, diretores de organizações missionárias e outras pessoas interessadas no bem-estar físico, emocional, familiar, e espiritual do corpo de missionários brasileiros servindo à causa de Cristo. /span>

CIM é um departamento da AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras), que reúne forças missionárias (igrejas, agências, juntas, associações missionárias, missões prestadoras de serviço ao cuidado missionário , pessoas especializadas na área do cuidado integral e missionários cuidadores de outros missionários) e tem por objetivo promover o cuidado integral do missionário através da conscientização, treinamento, e a organização de uma rede para o cuidado em si.

Neste site você poderá baixar diversos recursos para o seu desempenho na missão de Deus. E, claro, esperamos que deixe a sua opinião. Aproveite!

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Obstáculos para o crescimento das congregações urbanas – Leonerio Faller

Publicado pelo Forum | 02/03/2010

Leonerio respondeu às perguntas do Fórum sobre frustrações no ministério urbano e quais seriam possíveis soluções. Também compartilhou conosco sobre os osbstáculos para o crescimento das congregações urbanas, parte de sua dissertação de mestrado no CEM.
Frustação: Para mim a principal frustração na missão urbana tem sido a inconstância das pessoas – não sei se isto é uma característica das pessoas nas grande cidades ou se é do carioca (já trabalhei 8 anos em Campina Grande, PB, 5 anos no interior de São Paulo, e 13 anos aqui no Rio – nunca percebi a inconstâncias das pessoas tanto como aqui): exemplos: pessoas começam frequentar a igreja, demonstram ou expressam gostar, depois de algum tempo se afastam; visitantes depois de um tempo de visitam, pedem para tornarem-se membros, fazemos curso de discipulado (cerca de 4 meses), pessoa faz profissão de fé, e várias depois de 1 ou 2 se afastam ou até vão para outra igreja.

Tetativas de solução: incentivamos os membros sempre receberem bem os visitantes; não tenho pressa de receber alguém como membro – mesmo que veio de igreja evangélica, passa pelo curso de discipulado.

Dificuldades/obstáculos: porém há uma série de dificuldades que nós missionários urbanos enfrentamos. Cito abaixo um texto, parte de minha dissertação de mestrado em missiologia no CEM:
Obstáculos para o crescimento das congregações urbanas
As igrejas urbanas que desejam crescer enfrentam inúmeros obstáculos. Reflitamos sobre alguns.
1. Diabo. Satanás com seus anjos maus procuram impedir o crescimento da igreja em qualquer lugar. O dogmático John T. Mueller exemplifica as artimanhas destes inimigos da igreja de Cristo:
a) continuamente procuram destruí-la por investidas em geral (Mt 16.18); b) tentam impedir os ouvintes de que aceitem a palavra de Deus (Lc 8.12); c) disseminam doutrina errônea (Mt 13.35; 1 Tm 4.1s); e d) incitam perseguições ao reino de Cristo (Ap 12.7… No intuito de arruinar a igreja, o diabo causa transtornos também ao estado político (! Cr 21.1; 1 Rs 22.21-22), e ao estado doméstico (1 Tm 4.1-3; 1 Co 7.5; Jó 1.11-19) (John Mueller, Porto Alegre, Concórdia:1964:209).

Sem dúvida, “os ataques diretos de Satanás formam outro obstáculo que impede o êxito de desenvolver igrejas urbanas” (Brink, 10, tradução nossa), incentivando nas pessoas a busca pelas as religiões pagãs, levando pessoas incrédulas a colocarem dificuldades nas atividades da igreja.
2. Carne. Paulo afirma: “A carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si” (Gl 5.17). A carne – a natureza pecadora – que cada cristão também tem dentro de si, muitas vezes leva membros das congregações a dificultarem o crescimento da igreja com tais atitudes, por exemplo: não serem receptivos a visitantes e a membros afastados que retornam, não permitirem mudanças visando a contextualização (variação de liturgias, uso de novos cânticos, novas programações, alteração de horários, uso de diversos instrumentos musicais), o não envolvimento em atividades da igreja e especialmente no trabalho evangelístico (existem membros que há muitos anos vieram do interior para a grande cidade mas continuam a mentalidade da igreja do interior, na qual o pastor fazia praticamente tudo sozinho), membros que se transferem de outras congregações mas não se empenham em integrar-se na nova congregação e serem ativos.
É necessário que o missionário urbano pregue sobre estas e outras artimanhas da carne que impedem o crescimento da igreja urbana, a fim de que os membros se arrependam, busquem em Cristo o perdão e as forças para vencerem as fraquezas da carne também nestes aspectos.
3. A insegurança. A violência tem aumentado nas cidades como também no campo. No último ano, aumentaram 600% em São Paulo os sequestros envolvendo pessoas de qualquer camada social, e os sequestradores pedindo qualquer valor.[1] Assaltos nas ruas, arrombamento de residências e tráfico de drogas têm levado as pessoas a se trancarem em suas casas e duvidarem de todos.
Pelo poder da Palavra e do Espírito Santo, as pessoas são convertidas e integradas nas congregações. Porém, muitas vezes terão dificuldades para parti-ciparem de programações à noite.
4. Falta de tempo. “Há escassez de tempo para fazer o ministério porque tudo requer muito tempo nas grandes cidades” (Brink, p.8, nossa tradução). Nas grandes cidades se gasta muito tempo no trânsito, nas filas de repartições. Ademais, devido às muitas horas gastas com trabalho e estudos, etc, muitos membros têm pouco tempo para usar em benefício da igreja e na aplicação do dons. É óbvio que há aqueles com tempo disponível mas sem intenção de se envolverem em atividades da igreja. Porém, muitos sinceramente gostariam de gastar mais tempo no serviço do Senhor, mas fatores como trabalho e estudo impossibilitam-nos.
5. A expectativa de que a igreja ajude no progresso material. Devido à grande dificuldade econômica enfrentada por tantas pessoas e devido às inúmeras promessas de sucesso material por parte de denominações adeptas da teologia da prosperidade, a grande maioria das pessoas, e às vezes até aqueles que há tempo são membros de congregações evangélicas históricas, buscam nas igrejas apenas ajuda para seus problemas terrenos e materiais. E quando não alcançam o desejado, afastam-se.
6. Desconfiança com as igrejas. Boa parte da população está decepcionada com erros diversos em igrejas como a exploração financeira, escândalos de líderes religiosos, o legalismo de certas igrejas que impõem aos seus adeptos leis humanas tão rígidas tirando a alegria de viver das pessoas.
7. Alto custo de imóveis. A compra de um terreno e a própria construção de templo com suas dependências são muito difíceis por causa do alto custo. Aluguel de imóvel bem localizado nas cidades igualmente é caro.
8. Não querer compromisso. Talvez por causa dos muitos compromissos na vida secular (trabalho, escola, etc) ou simplesmente por apatia espiritual, muitos membros se contentam apenas em ser expectadores de cultos, sem querer compromisso de dons e tempo para o desenvolvimento da igreja. E vários membros que assumem compromissos, não o fazem com a dedicação necessária.
Pablo Brink conclui:
Ganhar convertidos para Jesus Cristo e “reuni-los em grupos” é relativamente fácil. A parte difícil é guiá-los para chegar a ser uma igreja bem organizada, evangelística, economicamente forte, compassiva, indígena e contextualizada; uma igreja com uma adoração dinâmica, uma mentalidade de servir à comunidade, um companheirismo profundo, uma educação cristã forte, e uma dedicação à missão local e mundial; uma congregação que na verdade tem um impacto sobre seus vizinhos urbanos não-cristãos por meio do evangelho de Cristo. Porém, ainda que seja difícil, este é o nosso ministério (Brink,: 10 – dissertação de doutorado não publicada).

Motivado pelo amor de Deus e orientado pelo Espírito Santo o missionário urbano enfrenta estes e outros obstáculos.

De momento é isto. Coloco-me à disposição ajudar em outra ocasião.
Leonerio

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ENCONTRO PARA FILHOS DE MISSIONÁRIOS JOVENS

Publicado pelo Forum | 02/03/2010

Para todos envolvidos de alguma forma em missões,
Estamos promovendo um encontro de filhos jovens adultos de missionários (16 anos para cima) no dias 30 de julho a 1 de agosto de 2010. Gostaria de contar com sua ajuda em enviar esta propaganda para todos os missionários e filhos de missionários, missões e igrejas que vocês conhecem para que possamos atingir o maior número de filhos de missionários possível. Estamos fazendo esta propaganda somente via internet pois achamos que é a melhor maneira de encontrar os filhos de missionários espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Também gostaríamos de fazer um banco de dados com e-mails de filhos de missionários. Peça os FMs para escreveram para nós.

Qualquer pergunta pode escrever para contato@flechaswec.com

No Amor de Cristo,
Alicia Bausch Macedo
Coordenadora do Ministério Flechas

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PARA PARTICIPAR REMOTAMENTE DO LAUSANNE 2010

Publicado pelo Forum | 26/02/2010

Amigo,

Será possível a um Seminário, Missão (Agência Missionária), Organização Cristã ou Igreja Local, ter acesso remoto as palestras de Lausanne durante o congresso. Veja os detalhes disso por meio do link: http://www.lausanne.org/cape-town-2010/globalink.html Recomende para as organizações que conhece.

Silas Tostes
AMTB

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FÓRUM CIM Fevereiro 2010

Publicado pelo Forum | 25/02/2010

1. MISSÕES URBANAS Jorge Barro
2. FRUSTRAÇÕES E PONTOS POSITIVOS DO MINISTÉRIO URBANO Miriam Zanutti

1. MISSÕES URBANAS Jorge Barro

1) Quais as características típicas de missões urbanas? Existe isso?
Antes de tudo é necessário entender uma confusão quanto aos termos “missões” e “missão”. “Missão” tem a ver com a natureza da igreja (conforme Bosch e Blaw). “Missões” tem a ver com as atividades da missão. Quando se fala de “missões urbanas” refere-se as muitas atividades/ministérios que são realizadas no contexto urbano. Exemplo: trabalho com drogados, pobres urbanos, tribos urbanas, etc.

O que difere é justamente o contexto onde se realiza a missão. Nesse caso, é o contexto urbano. O Brasil hoje, de acordo com o último censo, é aproximadamente 85% urbano. A vida acontece nas e ao redor das cidades. Quem deseja trabalhar no contexto urbano, precisará entender as seguintes características típicas:

• O tempo voa! O corre-corre das cidades grandes, trânsito, refeições rápidas e longe da mesa da casa, estudos no período noturno (85% dos estudantes brasileiros estudam a noite), etc, faz com que o tempo corra mais acelerado sem que nossas pernas possam acompanhar;
• A vida agoniza! O ser humano urbano é estressado, irritado, cheio de doenças provadas pela ansiedade, fadiga, poluição. A “alma” urbana parece estar encurralada. O medo da violência, a desconfiança, o individualismo e a sobrevivência revelam a face desse ser humano urbano;
• A busca do lazer! Parece que o ser humano trabalha para divertir e se diverte para trabalhar. Isso justifica a explosão de “happy hour”, postos de gazolinas com centenas de jovens com caixas de bebidas e som altos nos carros. Nas universidades o que mais tem são festas e mais festas. As fazendas e sítios são palcos de festas rave. Há também as festas denominadas “indoor” ou “house”, o techouse (tecnohouse), proghouse (progressive house), deephouse e o eletrohouse; segmentando dessa maneira as vertentes do Trance (psytrance, fullon, e outras);
• A sobrevivência como alvo! As cidades passam a ser campos dos gladiadores onde a luta se trava. A pessoa busca não a vida em sua essência, mas a sobrevivência. Para isso, tudo vale, tudo é permitido.

É claro que poderíamos aqui mencionar muitas características, mas essas poucas servem para nos revelar a nova face do mundo urbano. Sem dúvida temos características positivas e belas, por parte daquelas pessoas que promovem a esperança e a dignidade. São ações voltadas para a alfabetização, creches para crianças carentes, centros de recuperação, asilos, produções culturais e artísticas, etc.

2) Existe um crescimento de missões urbanas ou buscar os não alcançados leva mais missionários para longe das cidades?

O maior fenômeno da história da humanidade tem nome: “urbanização” – o processo migratório das pessoas dos centros rurais/agrícolas para as cidades. É notório que o fluxo missionário do passado foi para os lugares mais longes, as selvas, o interior, os índios. Os missionários que chegaram no Brasil fizeram o processo contrário da urbanização. Em vez de terem ido para os centros urbanos foram às regiões distantes e inóspitas. O apóstolo Paulo fez exatamente o contrário: foi a partir dos grandes centros que estabeleceu suas estratégias missionárias em cidades como Roma, Corinto, Éfeso, Filipos, Tessalônica, entre outras. Trata-se de fazer uma “opção preferencial pelas cidades” e menosprezar os centros rurais e agrícolas? Obviamente que não! Trata-se de uma natural. As cidades estão ai, que a gente goste ou não.

Tenho percebido que a grande maioria dos missionários que estão saindo do Brasil estão indo para os centros urbanos. A cidade passa a ser o maior campo missionário atual, com suas pluralidades culturais e religiosas. Parece-me que precisamos aprender com os muçulmanos que estão “invadindo” as cidades, principalmente o continente europeu, e vencendo a taxa de 2.1 filhos por casal. Já temos dados estatísticos de que a Holanda, França e Alemanha correm o risco de tornarem países fortemente muçulmanos. Vão ali ocupando os lugares de destaque nas empresas, universidades e comércio. Enquanto enviamos para as tribos, eles enviam para Paris. Novamente, não de trata de excluir ninguém, nenhum povo ou tribo. Trata-se se ação simultânea. Mas a síndrome de Jonas insiste em nos levar para longe de Nínive (que na época possuía 120.000 habitantes).

Recentemente estive em uma reunião com um presidente de uma agência missionária da Alemanha e ele me perguntou como nós, brasileiros, podemos ajudar a re-evangelizar a Europa. Infelizmente a igreja pode ser promotora da secularização! Como isso é possível? Simples. Quanto mais nos afastamos das cidades, mais deixamos as mesmas ao seu próprio destino. Já passou da hora de repensarmos o treinamento dos nossos missionários, o lócus do envio e os desafios que as cidades representam ao evangelho de Reino de Deus. Raras são as instituições teológicas que treinam e preparam missionários para as urbes.

3) Qual o tipo de stress enfrentado por missionários que trabalham na cidade?

Essa pergunta merece uma análise séria e criteriosa com os mesmos. Minha experiência em treinamento de missionários, viagens e contatos, e relacionamentos com colegas, me ensinam que…

• Eles estão sem pai e nem mãe. Passadas as emoções da festa de envio pela igreja e agência missionária, a realidade é que esse missionário irá pisar no solo duro da outra cultura. Esse é o stress fruto do isolamento, no não saber o que fazer, do insistente pensamento que persegue… “se eu tivesse estudado mais, observado mais…”. O próprio campo é um stress. Isso por si só já é um Golias a ser derrubado. Como se não bastasse, a igreja coloca um pouco mais ao não se comunicar, manter o sustento como prometeu e acompanhar;
• Da pouca colheita. Os missionários lutam contra um vírus que ainda não tem vacina: de ter que mostrar resultados e números. Todos sabem que, especialmente no contexto de alta secularização, os frutos são poucos. As pessoas não sabem diferenciar e nem valorizar os frutos “conceituais” – que normalmente é fruto de um processo longo e duro. Queremos resultados imediatos e fartos. Para algumas igrejas e agências se isso não existir, esse missionário é um fracasso. Meu mestre, Dr. Paul Pierson, certa vez disse que o evangelho sai da Europa como um movimento, chega nos Estados Unidos e virá empreendimento e no Brasil se tornou um evento. Isso explica porque a Igreja Brasileira é apaixonada por eventos! Os eventos podem conspirar contra o processo;
• Da exclusão e desprezo. Esse é outro stress que passa o missionário urbano. Dependendo do “público” que atua, passa a ser discriminado e desprezado. Não foi exatamente isso que aconteceu com William Booth? Ele nunca quis criar o Exército de Salvação. Ele queria que os pobres urbanos fossem aceitos dentro da igreja, coisa que não aconteceu. Quem trabalha com certos grupos da cidade (prostituas, travestis, mendigos, etc) parecem ser missionários de “segunda-classe” da igreja. E ninguém merece esse stress!

4) Que sugestões podemos dar aos que estão trabalhando neste contexto?

Não sei se existe sugestões do tipo “genérica”. Mas arrisco algumas…

• Trabalhe em parceria. Essa é a palavra de ordem para o movimento missionário atual. Se o próprio Deus trabalhou missionariamente em parceria, quando envia Jesus ao mundo, quanto mais os missionários de hoje. A obra de Deus só pode ser realizada em parceira. Para isso é necessário duas coisas: coragem e humildade. Coragem para andar com outros além da nossa confissão e igreja; ehumildade para reconhecer que o mais importante é a missão de Deus e nossa agência missionária. Juntos somos mais; juntos podemos mais!
• Prepare-se melhor. “A pressa é inimiga da perfeição”, diz o ditado popular. A urgência da missão não pode ser traduzida em precipitação, má formação teológica e missionária. A falta de preparo adequado já tem sido praticamente a causa número 1 do retorno “precoce” dos campos. Isso pode ter acontecido no passado por falta de recursos. Mas hoje é inadmissível essa postura.
• Entenda a cultura urbana. A cidade é de fato um desafio missionário. Esse “campo de missão” não é mais “campo” – é um aglomerado de pessoas e edifícios com estilos de vida próprios. Conhecer essa realidade é imprescindível para a tarefa missionária. Uma cidade é composta de várias culturas. È necessário romper a mentalidade de uma ação missionária “genérica”, que serve para todos os contextos. Estudar a cultura urbana é um dever de casa que todo missionário deve fazer.
Indico algumas das minhas reflexões para você:

• O pastor urbano – pela Editora Descoberta
• Ações pastorais da igreja com a cidade – pela Editora Descoberta
• De cidade em cidade – pela Editora Descoberta
• Uma igreja sem propósito – pela Editora Mundo Cristão
A FTSA oferece cursos especialmente voltados para missionários. O FORMAD – Formação Missionária a Distância – é um curso online, de duração de dois anos, que visa oferecer ferramentas e formação para os missionários que não dispõem de tempo para ir a escola. Podem estudar a partir de seu computador conectado com a internet. Para maiores informações sobre esse curso, escreva para o nosso Coordenador, Gedeon Lidório: gedeon@lidorio.com.br – 043 – 3371.0283. Viste nossa página: www.ftsa.edu.br.

2. FRUSTRAÇÕES E PONTOS POSITIVOS DO MINISTÉRIO URBANO Miriam Zanutti

Quais as frustrações mais comuns do ministério urbano e qual sua sugestão para lidar com elas?

Sua pergunta é relevante e significativa. Eu tenho duas respostas: o lado
negativo e positivo de se trabalhar na área urbana. Vou ser específica
em relação ao trabalho com muçulmanos. Desenvolvo outros trabalhos,
mas vou responder dentro da ótica de uma missão étnica.

Não tenho problemas quanto ao acesso aos muçulmanos no Brasil, seja
qual for a cidade ou comunidade muçulmana, xiita, sunita, ahmadia, alawita.
Mas o que é frustrante é a lentidão em relação a resposta do sim ao
Senhor Jesus. É demorado, não muito diferente do que ocorre em
países islâmicos. A sensação é que estamos fazendo algo errado ou
que eles são mais difíceis do que o esperado. Gostamos de resultados
e para aqueles que não são perseverantes com este povo, a tendência
é desistir. Mas se tiver certeza em Cristo da vocação, saberá o que fazer
e aguardar o tempo de Deus.

O lado positivo é que por ser no Brasil tenho mais liberdade de ir e vir.
O nosso país tem liberdade religiosa e não somos impedidos de proclamar
o Evangelho, com isso, as etnias aqui existentes podem ser alcançadas
por diversos veículos de comunicação. Entendemos o momento de
mistura de ritos e interpretações bíblicas por parte de algumas igrejas,
que acabam por trazer algumas complicações. Mas existem as sérias
e que estão dando fruto excelente.

3. ASSUNTO PARA MARÇO: Como atender os portadores de necessidades especiais, como dizem atualmente, PNES. Se você gostaria de contribuir sua opinião ou experiência sobre este assunto, escreva para mim. A data limite é dia 15 do mês, mas, se necessário podemos esperar um pouquinho mais que isso.

A todos vocês que trabalham nas cidades do Brasil e do mundo, que Deus os fortaleça e dê muita sabedoria e flexibilidade. Lembrem-se de que nossa recompensa vem do Pai, que está vendo seu esforço e dedicação.

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RELATÓRIO DA VIAGEM NO SENEGAL

Publicado pelo Forum | 09/02/2010

(Pr. Cloi e Pr. Bill- 13-23 de Janeiro,2010)

Sessenta missionários brasileiros de seis países estavam presentes na conferência- Burkina Faso (significa “povo valente ou digno”, segundo Cristiane, missionária batista, JMM), Mali, Guiné Bissau (que é 8-10 horas de barco da Dakar), Guiné Kanakri (missionário Ron Yearwood disse que significa ”eles não estão aqui”. As palavras faladas pelas mulheres em relação aos homens que fugiram para o interior quando os navios dos Franceses chegaram), Mauritânia, e Senegal.

Ted e Claúdia Limpic também estavam presentes, fazendo o papel de conselheiros, amigos, e pesquisadores (eles visitaram as escolas na área, dando encorajamento aos filhos brasileiros. Ted falou que 22% dos alunos são brasileiros nas escolas das várias missões). Certamente, de muita edificação foi a presença da banda LOGOS, que quando tocou na abertura, quase não tinha um olho sequer sem lágrimas durante o louvor.

Fiquei impressionado com o nível de organização do evento! O comitê está de parabéns!! Pr. Cloi e eu fomos muito bem recebidos e cuidados. Ficamos hospedados 4 dias na casa do casal Dr. Júnior (PMI) e família. Aquela família é nada mais, nada menos que servos de Deus e dos irmãos!! Ficamos gratos pelo amor derramado sobre nós durante todos os dias da nossa visita. Visitamos uma aldeia onde Júnior (que é médico) começou uma clínica, “conversamos” um pouco com os Africanos da aldeia através do nosso tradutor. Pr. Cloi pregou numa igreja de um bairro da Dakar.

Pr. Cloi pregou sobre o tema Espiritualidade do Missionário, de manha, nas devocionais para todos os presentes. A tarde continuou com o tema em grupos separados (casados e solteiros). Eu falei sobre conflito e perdão de manha, e a tarde Sensualidade, Sexualidade, e Sexo no livro de Cantares. Dividimos o grupo (casais e solteiros/solteiras) na parte da tarde. Levantei a questão de sexualidade em relação às solteiras brasileiras em África. A conversa foi rica. O assunto de assédio foi levantado, tratando questões: Quais os medos de cuidar bem o corpo no campo de África do oeste? As reações internas/externas à assédio constante? Como manter boa saúde espiritual-emocional contra assédio constante?

Pr. Cloi e eu tivemos várias sessões de aconselhamento nos intervalos durante o dia, até algumas noites.

Deus está usando os missionários brasileiros. Saí de Dakar convicto que África ainda é o continente do maior desafio em receber o evangelho.

Em geral, sentimos a presença renovadora de Deus nos dias. Vários missionários disseram que aproveitaram bem as palestras e o louvor.

Também fizemos propaganda do CIM e do Oásis. No último dia, um desejo foi expressado pela liderança de 2 missões (APMT e PMI (Povos Muçulmanos Inalcançados – em Córdoba – a base – Missão de fala Espanhola da América Latina) de tentar levantar um “Oasis no Deserto” (para os 17 países de oeste da África). Senegal (Dakar) é uma porta principal da África ocidental, argumentaram os líderes. As lideranças das missões vão reunir e enviarão um documento para Oásis. Falei que a equipe orará, conversará e enviará os pensamentos de volta. Junior falou sobre o desejo de ver CIM/Oásis voltar regularmente para oferecer alguns dias de aconselhamento. Oásis deve pensar sobre alguma parceria com CIM nisto? Oraremos sobre esta possibilidade. Estamos com muitas frentes, muitos desafios não estruturadas/os. Temos que escolher as prioridades.

Quanto à questão financeira, Deus foi muito generoso levantando parceria de 3 vias. Primeiro, foi os missionários de Senegal que levantaram parte do dinheiro com suas agências. Tivemos uma ajuda substanciosa de um amigo particular de Clói (Irmão Adelson) e ainda tivemos a parceira do DEPAM (Departamento de Missões) da Igreja Batista Central de Anápolis – Pr. Jesus (também presidente da JAMI).

Para que eu pudesse ir, tivemos a colaboração do psicólogo João Marcos Cardoso, que entendendo a necessidade que eu fosse ao Senegal, bondosamente substituiu-me no Oásis.

Pedimos um feedback do grupo organizador da conferência. Assim que nos enviarem repassaremos a todos.

Várias observações:

A.A Cultura Senegalesa:

Dakar é uma torre de Babel. O missionário Aldo (Quadrangular) disse: “somente quando falo Wolof ganho respeito do povo.” Como em quase toda África, o missionário tem que falar 2 línguas- Francês e uma das tribos; Português e uma das tribos, ou Inglês e uma das tribos.

B. O Clima:

Sub-saára: areia no ar, parece como nuvens de chuva, mas é areia no ar, umidade muito baixa, água cheia de calcário. Pode tentar filtrar, mas não tira o calcário. Muitos têm que comprar água mineral. Calor: até 40 graus. Em Mauritânia, até 50. Lá, eles dormem com panos molhados no corpo.

C. As mulheres/O Povo:

“Vaidosas, vivem pela aparência” dizem as missionárias solteiras. Muito bonitas, compram muitas jóias de ouro amarelo (18, 21, 24 kilates) “São ostenciosas” dizem as solteiras brasileiras. As Senegalesas sofrem as influências da França e da Europa. Algumas mudanças difíceis estão vindo entre as gerações-valores e roupas da Europa versus as roupas e os valores tradicionais. Um batismo muçulmano custou US$2000. Há uma grande diferença entre Dakar e o interior. O povo Senegalês é muito mais alegre que o Moçambicano, e Zimbabwiano.

D. A Comida -

Arroz, peixe, galinhada estilo Senegalês: muito óleo, muito pimenta e a gente come com as mãos de uma panela de alumínio grande. Tem que fazer um tipo de bala de gude com o arroz, exprimindo o óleo, que escorrega no comprimento do seu antebraço!

Os missionários já estão planejando a 3ª conferência brasileira para o ano que vem!

Espero que dê uma idéia básica! Júnior tirou muitas fotos durante a conferência. Ele deve nos enviar em breve.

Bill

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PROJETO: CUIDADO EMOCIONAL DO MISSIONÁRIO

Publicado pelo Forum | 25/01/2010

Fase: Treinamento Transcultural (2009-2010)

Cara Igreja, amados irmãos em Cristo, Paz!

O ano de 2010 começou com muita esperança e gratidão a Deus por tudo que ELE tem realizado em minha vida e a partir dela, neste tempo que tenho dedicado ao estágio de campo na África do Sul.

Algumas alterações foram necessárias no roteiro do Projeto. Isto reflete apenas no prolongamento do meu tempo de estágio e pesquisas em campo transcultural que estava previsto finalizar em 10 de jan. 2010. Em conformidade com as igrejas parceiras, estamos estendendo este tempo até outubro, ocasião em que estarei retornando para o Brasil para dar continuidade às fases seguintes do projeto, contando com a graça de Deus sempre.

Nosso projeto visa organizar uma Base de Apoio ao Missionário dando assessoria àqueles que transitam entrando e saindo do Nordeste para o mundo. Em fase de pesquisa no Brasil conhecemos alguns poucos trabalhos que estão sendo realizados no Sudeste do país, porém a região Nordeste continua desfalcada deste tipo de atendimento mais cuidadoso àqueles que se dedicam integralmente ao trabalho missionário fora de suas fronteiras.

Metas já alcançadas – Deus sempre nos surpreende fazendo além!

Em 2009, tive a oportunidade de me estender até Moçambique, visitando várias bases missionárias no sul do país, fazendo atendimento psicológico àqueles que solicitaram e ampliando o meu espectro da pesquisa do mestrado, com foco em missionários transculturais de fala portuguesa. Já temos 42 entrevistas realizadas. A visita a cidades do difícil campo moçambicano, resultou em outros atendimentos tanto via e-mail, quanto presenciais. Em dezembro e Janeiro, missionárias atendidas lá no campo, solicitaram prolongamento do trabalho terapêutico, e, aproveitando suas férias de campo, uma delas chegou a viajar até a África do Sul para isso.

Glória a Deus! Coisas assim, totalmente inesperadas dentro do planejamento do projeto têm acontecido, me fazendo confirmar o direcionamento de Deus para minha vida ministerial no Reino. Além disso, tenho sido desafiada a trabalhar na construção de melhores métodos para atendimentos tão curtos e tão focais, como é o trabalho de campo.

Mesmo aqui em África do Sul, tenho continuado a receber e-mails de missionários anteriormente atendidos ou direcionados por outros, para ter algum tipo de apoio emocional, nas fases em que vivem. Tenho dedicado tempo a este trabalho também de acompanhá-los de longe e orar por suas vidas.

É uma experiência muito rica, irmãos, completamente nova para mim e para os parceiros neste projeto, mas acreditamos que não nós, mas o SENHOR é que tem nos guiado nesta direção de investir nesta parte do Reino no mundo, que tende a crescer em suas necessidades.

Novos Alvos – Expectativa e fé Naquele que tudo pode!

Para 2010 temos o alvo de realizar duas viagens para fora do país, podendo dedicar um tempo de 1 mês (pesquisa e atendimentos) em cada um destes países que ainda não definimos. Estamos em oração. Pensa-se em um país africano e um asiático para enriquecer o estágio transcultural. Quem sabe, a tão sonhada China?

Continuo contando muito com as orações da igreja, pedindo a Deus orientação para essa nova fase, manutenção suficiente para realizar tais metas. Também muita sabedoria e saúde para desenvolver este trabalho com aqueles que neste momento carecem emocionalmente, mas perseveram no intuito de servirem ao Senhor no campo missionário, apensar das fraquezas.

Sou muito grata pelo apoio desta igreja, tanto financeiro para o andamento do projeto, quanto pessoal no envio de mensagens atenciosas e nas orações.

Continuemos juntos neste propósito de servir ao REI dos reis.

Em Cristo,

Verônica Farias

Skype: veronicasfarias

E-mail: verasfarias@gmail.com

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O CAMINHO PARA TERMINAR BEM A CARREIRA MISSIONÁRIA Por Silas Tostes

Publicado pelo Forum | 21/01/2010

1. Introdução
O propósito deste texto é definir um caminho para que a carreira missionária termine bem. Como base, tomaremos as palavras que o Senhor disse a Pedro, Tiago e João no monte da transfiguração. Veremos que eles tinham problemas, mas que se tornaram bons apóstolos de Cristo ou bons missionários transculturais, no caso de Pedro e João. Parece-me apropriado levantar essa questão porque muitos missionários bons não terminaram bem as suas carreiras missionárias. Entendo que nós precisamos seguir por um caminho que nos leve a um final feliz em relação à nossa carreira missionária.
Seguirei os seguintes pontos para atingir o meu propósito. Primeiro, mencionarei exemplos de missionários que não terminaram bem as suas carreiras missionárias. A seguir, sugerirei um ciclo, que necessariamente não está sujeito a uma lei infalível, mas que é real e leva missionários à queda. Geralmente, apenas missionários imaturos vivenciam esse ciclo, que, por fim, os destrói. Depois, mostrarei que, apesar das dificuldades humanas, Pedro, Tiago e João souberam encerrar bem as suas carreiras missionárias. Por fim, considerarei que outros personagens bíblicos também souberam terminá-las bem. A ideia é apresentar uma visão clara de um caminho que nos leve a uma conclusão ministerial que sempre glorifique a Deus.

2. Muitos não estão mais na carreira missionária
Ao longo dos anos, muitas pessoas aprovadas foram enviadas ao campo missionário por suas igrejas ou por suas igrejas em parceria com agências missionárias. Infelizmente, porém, entre elas há as que não terminaram bem as suas carreiras missionárias. Analisando casos particulares, discretamente mencionados aqui, observamos que estes se referem a ex-missionários. Anteriormente, eles foram aprovados, bem sustentados e deram frutos no campo, mas, por fim, não terminaram bem as suas carreiras missionárias. Durante um determinado tempo, parece que eles foram tementes a Deus e humildes, porém, em um dado momento, eles iniciaram um processo de afastamento de Deus, dos laços familiares e dos bons princípios ministeriais, o que os levou ao fim trágico de seus ministérios e lares.
• Certo missionário voltou para práticas imorais com pessoas do mesmo sexo, contraiu AIDS e voltou ao Brasil, onde faleceu;
• Certo casal, após ter fundado uma ótima igreja que continua muito ativa em uma parte bem carente de presença evangélica, viu o seu casamento ruir pelo adultério do marido (parece que eles conseguiram salvar o casamento, mas deixaram o campo missionário para engrossar as fileiras de imigrantes em certo país desenvolvido);
• Certo casal voltou bem do campo, mas, anos mais tarde, infelizmente viu o seu casamento ruir quando a esposa passou a ganhar mais do que o marido e se viu no direito de se envolver com outros homens;
• Certo missionário enfrentou tanto estresse com a agência enviadora , que surtou, voltando aos tempos, memórias e comportamentos de seus 12 anos de idade, não reconhecendo nem seus familiares (ele voltou ao normal com a ajuda de um psiquiatra, e acabou imigrando para país mais desenvolvido);
• Certo casal que muito produziu no campo viu o seu casamento ruir e, consequentemente, o seu ministério em função de toda sorte de acusação em relação à possibilidade de o marido ter voltado a sua antiga crise de identidade sexual e de suspeitas de que ele tivesse encontrado parceiros para o seu novo estilo de vida;
• Certo casal passou por uma crise em relação à infidelidade e, por fim, foi para um país desenvolvido como imigrante (eles conseguiram construir uma casa no Brasil e voltaram para cá, mas não têm um ministério missionário há muitos anos).
• Certa missionária retornou ao Brasil, devido às dificuldades de adaptação a nova cultura. Tentou várias outras oportunidades de ministério, mas suas carreira foi abalada. Demorou muito tempo para conseguir uma nova colocação.
• Certo casal entendeu ter ouvido a voz Divina e tomou a decisão de retornar ao Brasil, por terem sentido que este era o tempo de Deus para eles. Contudo, não conseguiram se adaptar a nova realidade denominacional e cultural e acabaram sofrendo muitas conseqüências na família, com falta de apoio, dinheiro e trabalho.

Infelizmente, há muitos outros casos de missionários que também não terminaram bem as suas carreiras missionárias, inclusive missionários estrangeiros em nossas terras. No geral, todos eles foram bons missionários – previamente aprovados, com sustento e com frutos. Em um dado momento, porém, eles se viram em dificuldades e não terminaram bem as suas carreiras missionárias. Infelizmente, os ministérios deles não foram restaurados até o momento. As dificuldades que eles tiveram não apareceram do dia para a noite, normalmente fizeram parte de um processo que se desenvolveu. A soma de todos esses casos não deve passar de 2% da força missionária enviada, mas, mesmo assim, é um alerta para os 98%.

3. Um ciclo que leva à destruição
Analisando tantos casos, pude perceber algumas similaridades de comportamento, um ciclo. O ciclo que sugiro não é uma lei infalível. Em geral, os missionários não passam por esse processo, mas alguns passam. A minha sugestão se pauta na minha experiência e no meu convívio pessoal com a força missionária brasileira, que completaram 26 anos em 2009. O ciclo é um processo de queda que ocorre mais ou menos da maneira descrita a seguir. É claro que os prazos sugeridos variam de pessoa para pessoa.
Normalmente, no curso de preparo missionário, o candidato é humilde. Dá até dó. Ele sonha ser missionário e transformar o mundo, fazendo diferença em algum lugar. Ele ainda não possui experiência transcultural e ainda não aprendeu outra língua. (Alguns missionários talvez precisem aprender duas novas línguas.) Ele não possui todo o sustento que necessita. Nessa fase, ele aprende muito, inclusive a fazer o projeto missionário. Ele também aprende a levantar o seu sustento, apresentando o seu projeto à igreja enviadora ou às igrejas enviadoras, amigos e familiares. No curso de preparo missionário, ele nem sempre sabe para onde irá.
Depois, vem o primeiro ano no campo intermediário. Surgem problemas, dificuldades e choques. Nesse contexto, o missionário garante que de fato não sente nenhum choque cultural, apesar de que ele ainda não desenvolveu estruturas metaculturais (possibilidades de avaliação de sua própria cultura e da cultura alheia) que permitam que ele veja, entenda e explique o choque cultural e a causa do mesmo.
O tempo passa, e o missionário aprende línguas, faz amigos no campo, inicia o ministério e dá alguns frutos. No fim de três ou quatro anos, ele retorna ao Brasil. O perfil dele é outro. Ele estudou missões, aprendeu outras línguas e sabe falar da vida missionária, tanto de suas lutas e conflitos como de suas vitórias. Nessa nova situação, ele costuma ser bem recebido e até admirado. Inicia-se o processo de bajulação do missionário.
Então, outros três ou quatro anos se passam. O missionário passa a ser bem mais respeitado do que na época de aluno do curso de preparo missionário. Depois de sete ou oito anos no campo, começam os convites. Eles são mais ou menos assim: Por que você não deixa a sua agência missionária e passa para a nossa igreja ou para a nossa agência? Nós podemos dar tudo o que você precisa, mas o seu ministério no campo precisa ser da nossa denominação. São ofertas tentadoras. Possivelmente, Deus tem algo melhor mesmo para o missionário. Várias passagens de um ministério para outro costumam dar certo. Infelizmente, porém, alguns dos missionários não discernem a voz de Deus e, após receberem ótimos convites, perdem os antigos mantenedores. No novo contexto, o missionário não sabe lidar com as novas regras e com as políticas denominacionais. Talvez ele se sinta usado para levantamento de fundos, que não foram enviados. Ele vê que certas promessas não se cumprem. Vem, então, a avalanche de conflitos e o estresse altíssimo.
A fase mais aguda do processo de bajulação normalmente ocorre no retorno do missionário ao Brasil após o seu segundo termo de trabalho. É nessa hora que alguns obreiros mais imaturos se deixam levar, não mantendo a humildade e a cordialidade. Por volta dos sete a oito anos no campo, o missionário mais imaturo se torna arrogante, exigente e intolerante. Ele foi tão elogiado e admirado nos últimos anos que sente que possui o direito de exigir e de se impor. Nesse contexto, toda a equipe do escritório da agência missionária é pouca para apoiá-lo, toda a estrutura é pouca para recebê-lo. Enquanto as intransigências surgem apenas no contexto da agência missionária, ainda vai, mas, por fim, as igrejas percebem a atitude do missionário, toleram-no, amam-no e o orientam, mas, um dia, elas se cansam. Essa é a hora em que o missionário, cheio de dedos e exigências, perde o respeito e o sustento, vindo a amargar várias dificuldades. Chamo isso de fase da caixinha de fósforos, pois o missionário, sem razão de ser, pensando ser mais do que realmente é, metaforicamente sobe em uma caixinha de fósforos (sem base) e faz o seu discurso.
Tendo perdido o sustento e o respeito, possivelmente se inicia então uma fase de disciplina do Senhor, que corrige os filhos a quem ama (Hb 12:7-8). A disciplina do Senhor se dá no contexto em que o próprio missionário plantou para colher os seus dissabores.

O ciclo descrito acima ocorre quando o missionário é famoso e tem visibilidade ministerial. Ele tem mais frutos, mais sustento e mais convites, mas, ao mesmo tempo, é imaturo. Quando tem mais visibilidade, ele pode se descuidar da prestação de contas ministerial e do zelar pelo bom trabalho de sua equipe, por sua vida íntima com Deus e por sua família, vindo a se encontrar em uma das situações destruidoras mencionadas acima. É nessa hora de descuido que o missionário fica mais independente. Ele toma decisões sem compartilhá-las com a igreja e com a agência enviadora. Ele pensa que tem tanto fruto e trabalho que orar e se consagrar a Deus pouco vale. Ele pensa que é tão bem-sucedido que pode caminhar sozinho.
Há ainda a fase que acontece por volta dos 12-15 anos de campo, quando o missionário entraria em sua fase mais frutífera no campo, mas que por razões pessoais, familiares, ministeriais, financeiras , entre outras, pensa já ter cumprido seu tempo de campo e começa a buscar novas alternativas. Esta é uma fase muito perigosa, pois se forem feitas escolhas erradas, o missionário que estaria a caminho de completar uma grande carreira, acaba tendo um final não feliz para si mesmo e para sua família. Voltar ao contexto de sua terra natal, seja em termos pessoais, familiares e até ministeriais é algo que precisa ser muito bem preparado, para que possa seguir trabalhando, o que trará um senso de respeito, credibilidade e por conseqüência, um sentido de vida. Nesta fase, corre o risco de não ouvir seus líderes, desenvolvendo um discurso tão convincente ,que fica difícil de ser refutado.
Normalmente se o missionário consegue passar bem por este momento entre os 12-15 anos de campo e decide por permanecer na obra, sua carreira decola , os frutos são duradouros e acaba por escrever uma história bonita. Existem casos, que mudam sim de campo, mas não perdem o foco do ministério para o qual foram chamados.
Somente bons missionários que um dia perderam os seus ministérios transculturais foram citados. Eles eram bons, mas perderam os seus ministérios. Eles tinham frutos, mas terminaram a carreira missionária sem honra. Será que há algo que pode ser feito para reverter esse ciclo? Há sim!

4. Pedro, Tiago e João terminaram bem as suas carreiras missionárias
Sabemos que os apóstolos de Cristo tiveram dificuldades. Estas nos saltam aos olhos em uma breve leitura dos evangelhos, mas consideraremos somente as dificuldades que eles enfrentaram na ocasião da transfiguração de Jesus ou no contexto imediato a esse episódio. Pedro, Tiago e João tiveram problemas, mas eles os venceram. Isso aconteceu porque eles mantiveram como base a palavra divina proferida no monte da transfiguração. Se eles venceram, certamente nós também podemos fazê-lo, mas o caminho proposto por Deus precisa ser trilhado. Pedro, Tiago e João ouviram a Jesus, e nós temos que fazer o mesmo.
Lucas nos informa que Jesus levou os três discípulos para o monte onde ocorreria a transfiguração para orar (Lc 1:28). Quando eles estavam pesados de sono, houve a transfiguração e o diálogo entre Jesus, Moisés e Elias sobre a aproximação da morte de Jesus (Lc 9:30). Quem nunca sentiu sono durante a oração? Naquele contexto, Pedro sugeriu que três tendas fossem construídas (Lc 9:33). Possivelmente, a sugestão de Pedro indique que ele desejava que aquele momento perdurasse até a Festa dos Tabernáculos, que se aproximava. Lucas acrescenta que, ao sugerir que três tendas fossem levantadas, na verdade Pedro não sabia o que dizia (Lc 9:33).
Quantas vezes temos dificuldade para entender a obra de Deus? Quantas vezes falamos sem saber do que falamos? Quantas vezes pensamos mais em nossos interesses – ficar nas três tendas da bênção – do que nas nações sem Deus? Quantas vezes queremos perpetuar o sentimento da presença de Deus em uma eterna sensação celestial na terra sem nos importarmos com os que nunca ouviram da redenção de Deus em Cristo?
A sugestão de Pedro, mesmo em sua ignorância, não deixou de ser egoísta. Pedro foi ignorado pelo trino Deus. Sugestões egoístas são ignoradas por Deus. Ele as deixa sem resposta. Por isso Jesus nada disse a Pedro. Não respondeu a sua colocação. Ao descerem do monte, Jesus advertiu os discípulos a não contar nada a ninguém até que Ele ressurgisse dos mortos (Mc 9:9). Os discípulos guardaram o segredo pedido, mas perguntaram a si mesmos o que seria ressurgir dos mortos (Mc 9:10). Mesmo que Jesus já tivesse explicado tudo sobre a Sua partida, eles ainda não haviam entendido as Suas palavras (Mt 16).
Quantas vezes Deus precisa falar até que nós entendamos o que Ele nos diz? Quantas vezes não entendemos os propósitos de Deus? Os discípulos andaram com Deus, mas não entenderam os Seus caminhos? Não é assim conosco?
Certamente que os três discípulos tiveram as suas dificuldades. Isso sem falar na aparente disputa de poder que havia entre eles para saber quem era o maior no reino de Deus (Mt 18:1) ou na falta de fé deles (Mt 17:20). Mesmo assim, porém, eles terminaram bem as suas carreiras missionárias. Sabemos que Pedro foi para Antioquia da Síria e, depois, para Roma ou para a Babilônia. João foi para Éfeso e, depois, como prisioneiro, foi enviado para a Ilha de Patmos. Tiago também terminou como um consagrado e atuante apóstolo, mesmo que tenha sido executado prematuramente (At 12:2). O que os fez terminar bem a carreira missionária?
Evidentemente, foi a soma de vários fatores que levou os apóstolos a terminar bem as suas carreiras missionárias. Incluo nisso a capacitação espiritual que vem do Espírito Santo (At 1:8), contudo, pergunto: Houve um ponto fundamental por meio do qual os três apóstolos construíram uma carreira missionária de sucesso? Sim, eles trilharam pelo caminho indicado por Deus no monte da transfiguração.
Naquela ocasião, Deus poderia tê-los repreendido, pois Pedro não soube o que disse e os discípulos não haviam entendido as explicações de Jesus acerca de Sua ressurreição. Quando Deus falou para a platéia de três apóstolos, porém, Ele simplesmente disse: “Este é meu filho amado em quem me comprazo; a ele ouvi”.Ouvir o Filho nos leva a terminar bem a nossa carreira missionária. Nada nos preserva mais no caminho para que tenhamos um final feliz em missões do que regularmente ouvir a Jesus. A voz de Deus não só testemunhou a singularidade da divindade de Jesus como também a necessidade que todos os homens têm de ouvir a Ele. Ao ouvir a Deus, nós somos redimidos e encaminhados em uma carreira missionária perseverante e vitoriosa. Não há como terminar bem uma carreira missionária sem Jesus, sem ouvirmos a Sua voz e sem termos uma comunhão íntima e regular com Ele.
Os três apóstolos ouviram a Jesus? Sim. Mesmo que eles tivessem as suas dificuldades e mesmo que nem sempre eles entendessem a Sua linguagem metafórica, eles ouviram a Jesus. Eles O ouviram e continuaram a ouvi-lO. Os discípulos não entenderam o que era o fermento dos fariseus (Mt 16:5-7), não entenderam que Lázaro havia morrido, pois Jesus dissera que ele dormia (Jo 11:11-12) e não entenderam a parábola do semeador, para a qual pediram explicações (Mt 13:10,18), contudo ouviram a Jesus e continuaram a fazê-lo. Então, pela graça de Deus, foi-lhes aberto o entendimento (Lc 24:45). Os discípulos ouviram tanto a Jesus que O entenderam. Eles ouviram a Jesus mesmo quando as Suas palavras foram de repreensão (Mc 16:14).
Nesse contexto, os discípulos terminaram bem as suas carreiras missionárias? Claro que sim. Ao ouvirem a Jesus, eles permaneceram em Jerusalém e foram capacitados pelo Espírito Santo (At 1:8). Depois, eles se recusaram a estar tão ocupados que não pudessem orar e se dedicar à pregação. Diáconos foram eleitos para que os apóstolos tivessem todo o tempo necessário para continuar a ouvir a Jesus pela Palavra (At 6:2). Eles não abandonaram as Escrituras nem a oração, apesar da grande soma de convertidos em Jerusalém. Foi no permanecer ouvindo a Jesus que o idoso João ainda O ouviu falar, revelando-lhe o Apocalipse (Ap 1:1). Foi ouvindo Jesus que Pedro, por sua vez, sabendo que a sua morte se aproximava, permaneceu ativo, encerrando bem a sua carreira missionária. Ele disse: “Pelo que estarei sempre pronto para vos lembrar estas coisas, ainda que as saibais, e estejais confirmados na verdade, que já está convosco. E tendo por justo, enquanto ainda estou neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações, sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, assim como nosso Senhor Jesus Cristo já mo revelou. Mas procurarei diligentemente que também em toda ocasião depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas. Porque não seguimos fábulas engenhosas quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós fôramos testemunhas oculares da sua majestade”(2Pe 1:12-16).
O nosso ouvir a Jesus deve ocorrer segundo os passos dos apóstolos. Eles se dedicaram às Escrituras (At 6:2). Nesse contexto, eles ouviram a voz de Jesus pela iluminação do Espírito Santo [ii]. Dessa forma, ocorreu na vida deles a correção das Escrituras. “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3:16). Sendo assim, não ouvir a Jesus é fazer o caminho inverso de Atos 6:2, ou seja, é se sentir tão importante que se julgue que não é necessário ter tempo com Deus e para Deus. Quando ouve a si mesmo, o missionário se deixa levar por bajulação, o que, por fim, o leva à destruição, que geralmente é precedida pela fase da caixinha de fósforos.
Infelizmente, a chamada obra de Deus inúmeras vezes é somente uma disputa por espaço, verba e posição. Na verdade, a obra de Deus é fazer a vontade de Deus conforme ouvimos o Filho, o caminho para Deus (Jo 14:6). Devemos fazer a vontade de Deus, ouvindo a Jesus, até que completemos a nossa carreira missionária. Jesus disse: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e completar a sua obra” (Jo 4:34). Jesus, Pedro, Tiago e João completaram bem as suas carreiras missionárias. Complete a sua também. Você está ouvindo a Jesus ou está subindo em uma caixinha de fósforos para fazer os seus discursos?

5. Outros personagens bíblicos também terminaram bem as suas carreiras missionárias
É bonito ver Jacó despedindo-se de seus filhos e abençoando-os (Gn 49). De igual modo, é interessante ver Moisés sendo informado de que a sua hora chegara e de que o Senhor mesmo o recolheria. Apesar de que não foi permitido a Moisés entrar na Terra Prometida, ele foi fiel a Deus e esteve com Jesus no monte da transfiguração. Moisés soube a hora da sua morte e estava preparado para a mesma [iii]. Daniel, por sua vez, foi informado de que a palavra profética que ele proferira somente se cumpriria depois de muito tempo, mas completou bem os seus dias e a sua carreira missionária (Dn 12:9). “Tu, porém, vai-te até que chegue o fim; pois descansarás e estarás no teu quinhão ao fim dos dias” (Dn 12:13).
O apóstolo Paulo também terminou bem a sua carreira missionária. Ele não sabia o que escolher – ir para a presença de Deus, o que é bem melhor, ou ficar com os filipenses, entre os quais daria mais frutos, caso saísse da prisão. Ele esperava ser liberto (Fl 1:19), mas sabia que poderia ser executado em Roma (Fl 1:20; 2:17), como de fato foi. Apesar de tudo, ele terminou bem a sua carreira missionária. Antes de morrer, ele disse: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”(2Ts 4:7). E também: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Mas, se o viver na carne resultar para mim em fruto do meu trabalho, não sei então o que hei de escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Fl 1:21-23).
Vários personagens bíblicos souberam andar com Deus e terminar bem as suas carreiras missionárias. É possível terminarmos bem as nossas carreiras missionárias se nos mantivermos em comunhão com Deus, ouvindo a Jesus.

Considerações finais
Constatamos que, infelizmente, muitos bons missionários – bem selecionados, bem sustentados e com frutos ministeriais – não terminam bem as suas carreiras missionárias.
Sugerimos que, em alguns casos, a queda de missionários é precedida por um ciclo de bajulação, que produz arrogância, intolerância e independência (fase da caixinha de fósforos). O missionário, bajulado e envaidecido pelo sucesso ministerial, caminha por uma agenda cheia de sucesso e, então, deixa de ouvir a Deus. Por fim, sobrevêm a ele as tragédias que destroem lares, casamentos e ministérios.
Há também àqueles que não entram na fase do orgulho, mas por algum motivo sentem que precisam de mudar de lugar de trabalho e muitas vezes aí fazem as decisões erradas de suas vidas. Sem compreenderem que neste momento da vida, o mais importante teria sido ouvir a Deus atentamente, deixando de lado suas próprias frustrações, expectativas e explicações.
Vimos que Pedro, Tiago e João terminaram bem as suas carreiras missionárias. Embora tivessem tido dificuldades para ouvir a Jesus, eles O ouviram, até mesmo em Suas repreensões. Eles foram bem-sucedidos no papel de apóstolos de Cristo. No caso de Pedro e João, eles também foram bons missionários transculturais. Antes de morrer, Pedro continuou a ensinar aos outros e o fez até mesmo após a sua morte por meio das palavras que escreveu (2Pe 1:12 -16). João escreveu o livro do Apocalipse antes de morrer.
Também vimos que outros personagens bíblicos, como Jacó, Moisés, Daniel e Paulo, também souberam terminar bem as suas carreiras missionárias.
Consideramos que ouvir a Jesus faz parte de um processo constante de oração e estudo da Palavra e que precisamos fazer isso nem que tenhamos que organizar o nosso tempo para tanto. Os apóstolos elegeram diáconos para que pudessem se dedicar a ouvir a Jesus (At 6:2).
Sendo assim, eu pergunto: Como está o seu ministério? Você já ficou famoso? Você já ficou orgulhoso em função da sua fama? Você já não se importa em chamar pecado de pecado? Você não se importa com os seus conflitos carnais? Você já comprou a sua caixinha de fósforos? Você já alcançou seus 12-15 anos de campo? Começou a sentir que precisa mudar algo? Já está elaborando um belo discurso para explicar, para si mesmo e para os outros, porque precisa sair do campo? Lembre-se, o caminho para terminar bem a sua carreira missionária é ouvir a Jesus. Não podemos ser tão ocupados e famosos de modo que não tenhamos tempo para as Escrituras e para a oração. Ande com Deus. Deixe que Ele conduza os seus passos até que você termine bem a sua carreira missionária.
Ouça seus líderes, seja humilde. Infelizmente, há uma lista de ex-missionários. Eles eram bons e deram frutos, mas terminaram muito mal as suas carreiras missionárias. Lembre-se: “Quem pensa estar em pé, cuide para que não caia” (1Co 10:12).

[i] “Porque não seguimos fábulas engenhosas quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós fôramos testemunhas oculares da sua majestade. Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando pela glória magnífica lhe foi dirigida a seguinte voz: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo’; e essa voz, dirigida do céu, ouvimo-la nós mesmos, estando com ele no monte santo. E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações” (2Pe 1:16-19).
[ii] “Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará” (Jo 16:13-14).
[iii] “Naquele mesmo dia falou o Senhor a Moisés, dizendo: ‘Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo, que está na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que eu dou aos filhos de Israel por possessão; e morre no monte a que vais subir, e recolhe-te ao teu povo; assim como Arão, teu irmão, morreu no monte Hor, e se recolheu ao seu povo; porquanto pecastes contra mim no meio dos filhos de Israel, junto às águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim, pois não me santificastes no meio dos filhos de Israel. Pelo que verás a terra diante de ti, porém lá não entrarás, na terra que eu dou aos filhos de Israel’” (Dt 32:48-52).

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FÓRUM PARA O CUIDADO INTEGRAL DE MISSIONÁRIOS – Janeiro 2010

Publicado pelo Forum | 16/01/2010

FELIZ ANO NOVO!!!!

Este ano temos muitos assuntos para trabalhar. Começamos tratando da necessidade de manter a vida devocional no campo missionário. Conto com suas colaborações e lhes desejo um ano cheio de frutos em suas vidas pessoais e no ministério também.

1. ASSUNTOS PARA 2010
2. VIDA DEVOCIONAL NO CAMPO MISSIONÁRIO Elias e Fokjelina Medeiros
3. CURSO NO CEM: ALARGANDO AS TENDAS
4. Links para um aprofundamento sobre este assunto
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1. ASSUNTOS PARA 2010

a) A necessidade de manter nossa vida devocional, pessoal e em família no campo missionário – dificuldades e sugestões…
b) Missões Urbanas.
c) Como atender os portadores de necessidades especiais, como dizem atualmente, PNES.
d) O fazedor de tenda e a igreja local… quem envia??? Existe prestação de contas para o fazedor de tendas? Como ele pode cooperar com os “missionários” que já estão no campo onde vão?
e) Namoro e casamento transcultural no campo – perigos e oportunidades de bênçãos.
f) Conflitos com a agência e igreja enviadora – como lidar com os mesmos?
g) Como ser uma igreja missionária e impecilhos da obra missionária dentro da igreja loca.
h) A mensagem do Evangelho é transcultural?
i) A vida acadêmica dos filhos de missionários, a questão da educação formal fora do Brasil e como fazer para que os nossos filhos sintam a ligação com o Brasil.
j) Trabalho em equipe, como apoiar um aos outros para estar saudaveis e eficazes no campo.
k) Parceria em missões: Trabalhando em grupos transculturais

2. VIDA DEVOCIONAL NO CAMPO MISSIONÁRIO
Elias e Fokjelina Medeiros
Duas expressões que precisam de clarificação: vida devocional e campo missionário. Vida devocional significa uma vida de devoção a alguém, algo, ou alguma causa. No nosso caso me refiro a vida de devoção ao Senhor da seara e dos ceifeiros (Mateus 9:37-38).11 Tal devoção inclue, como parte essencial, fundamental, e inegociável, o meditar diário na Palavra do Senhor a Quem servimos e conversa (oração) com este Senhor para Quem trabalhamos.
“Campo missionário” segundo o ensino das Escrituras é o mundo, todas as famílias da terra (Genesis 12:3), todas as nações (incluindo as nossa naçÃO-caracterizada por cultura e língua distinta ), todos os povos, todas as línguas. Jesus disse que “o campo é o mundo” (Mateus 13:38). O que caracteriza um campo como missionário não é a presença de um “missionário” mas a existencia dos perdidos. Portanto, o Brasil é campo missionário para os crentes no Senhor Jesus (quer brasileiros ou “estrangeiros”) trabalhando entre o povo ou entre outras etnias nas terras dos brasis. Da mesma forma os Estados Unidos é campo missionário para qualquer crente no Senhor Jesus, tanto americanos e “estrangeiros” que vivem e trabalham com o objetivo de alcançar os perdidos, plantar igrejas, e edificar o povo do Senhor nos EUA. Portanto, o que determina um campo como “missionário” é a presença de pessoas não-salvas, não-alcançadas (ou não-alcançáveis ainda).
A vida devocional no campo “missionário” é o exercício espiritual diário durante o qual nos alimentamos pessoalmente da Palavra de Deus e conversamos com o nosso Pai que está nos Céus (Mateus 6:9). Tal exercício em nossa experiência pessoal tem sido o fator decisivo no nosso crescimento e ministérios-crescimento na Graça, no conhecimento, e no gôzo do Senhor, envolvimento ativo na evangelizaçã/discipulado/edificação da igreja,(pregação e ensino a nível de pós-graduação do Elias, dedicação ao lar, estudos bíblicos, preparação para o ministerio para senhoras, da Fokjelina, relacionamento entre nós como marido e mulher, filhos, e netos, administração do lar, das finanças, e do tempo. “Quando orares, entra no teu quarto [todo servo do Senhor precisa de um tempo e lugar assim] e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê [e ouve] em secreto, te recompensará” (Mateus 6:6).
Estes 35 anos de ministério pastoral/missional na obra do Senhor foi gerada e é sustentada através do nosso tempo diário com Deus na meditação da Sua Palavra e oração. Elias sempre diz para os alunos: “Espero que o púlpito ou o campo nunca seja a motivação para vocês estudarem a Palavra. Oro que o estudo e meditação séria e diária da, e na, Palavra de Deus os motive diariamente a pregar e a continuar ministrando no campo.” Afinal, quando estudamos Mateus 28:18-20 percebemos que a primeira ênfase apresentada não é a comissão de “fazer discípulos de todas as nações.” A primeira ênfase é no comissionador: “Toda autoridade me foi dada nos céus e na terra.” Antes de enviar os Seus discípulos, Jesus Os chamou para Si. Portanto, antes de partirmos para a obra do Senhor, precisamos viver em intimidade com o Senhor. Antes de ensinar todas as cousas que o Senhor ordenou, precisamos conhecer (conhecimento e obediência = experiência) o Senhor e o que Ele ordenou. Lembremo-nos de Esdras:
“pois, no primeiro dia do primeiro mês, [Esdras] partiu da Babilônia e, no primeiro dia do quinto mês, chegou a Jerusalém, segundo a boa mão do seu Deus sobre ele. 10 Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos” (Esdras 7:9-10).
Progresso ministérial e “devocional” estão produndamente interligados.
Estes princípios têm nos sustentado no decorrer de nossa pergrinação desde o tempo que trabalhamos com evangelização e plantação de igrejas na região amazônica, plantação de igrejas urbanas na região do nordeste, deão acadêmico e professor do Centro Evangélico de Missões, e, agora ministrando nos Estados Unidos durante os últimos 20 anos. O Elias acabou de enviar um relatório ao seu Presbitério na Paraiba. Deixe-nos compartilhar a conclusão deste relatório onde ele ressalta “Alguns detalhes importantes para vida ministerial pessoal e trabalho pastoral.” Aqui seguem uma lista destes “detalhes.”
A leitura e meditação diária das Escrituras tem sido a maior fonte de renovação e alegria espiritual durante meus anos de ministério. Tenho, pela graça sustentadora de Deus, conseguido ler toda a Bíblia, pelo menos uma vez por ano. Tal disciplina espiritual tem me ensinado muito sobre como orar, como pregar, como lutar espiritualmente, e, especialmente, como compartilhar o evangelho com os não-crentes e como compartilhar as lições aprendidas e experimentadas com membros do corpo de Cristo. Tais oportunidades têm se apresentado quase diariamente no meu ministério.
Tenho dedicado tempo, pelo menos duas vezes por semana, para orar e dirigir/participar de um estudo bíblico com um grupo de estudantes do Reformed Theological Seminary. Reuno-me com aproximadamente 10 estudantes semanalmente (geralmente das 12:00 s 13:00 hrs) para lermos juntos livros completos das Escrituras. Alguns destes livros tem demorado, às vezes, mais de dois semestres para terminarmos a leitura, comentários, e aplicações do livro. Lemos juntos versículo por versículo com a participação de todos. Esta tem sido outra grande fonte de renovação ministerial. O Senhor tem aberto muitas portas para aprender dos estudantes como, também, para ensinar.
Outra fonte de bênção para meu crescimento espiritual tem sido um tempo diário para leitura da Palavra e oração com minha esposa. Deus tem nos dado oportunidade agora (os filhos estão todos casados e morando em suas próprias casas) para dedicarmos mais tempo em oração, e leitura das Escrituras, como casal. Fazemos isto, pelo menos duas vezes por dia. Aproveitamos tais momentos para compartilharmos juntos o que aprendemos do texto Sagrado, orarmos pelos filhos, netos, familiares, amigos, e necessidades outras.
Continuo, pela misericórdia do Senhor e motivação das Escrituras, lendo muito, mas tenho procurado gastar mais tempo na leitura, meditação, e compartilhamento das Sagradas Escrituras. Um dos problemas no ministério tem a ver com o fato de passarmos mais tempo lendo aquilo que outros escreveram sobre as Escrituras em vez de dedicarmos mais tempo sobre o texto Sagrado.
Recomendaria aos membros do Presbitério que formassem pequenos grupos (de 3 ou 4 pastores/presbíteros) para leitura e meditação semanal das Escrituras. Escolham um livro da Bíblia para lerem juntos. Separem um dia, uma hora e um local (casa, escritório, restaurante, café, etc) durante a semana para se encontrarem. Tragam as suas Bíblias, papel e lápis. Comecem a ler versículo por versículo de uma forma compassada. Dêem oportunidade para cada membro do grupo fazer algum comentário sobre o versículo (pergunta, observação, exemplo, aplicação, etc). Orem uns pelos outros, por suas igrejas, e pelo trabalho do Senhor em outros lugares do mundo. Os irmãos que estão em cidades distantes podem começar algo semelhante com alguns líderes das suas igrejas/congregações.
Que o Senhor nos abençõe e nos ajude a crescer na Graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo. Ouçamos o apóstolo: “Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto” (1 Timóteo 4:15).
Seus irmãos de peregrinação,
Elias e Fokjelina Medeiros
3. CURSO NO CEM: ALARGANDO AS TENDAS
O CEM, a AFTB e a Interserve Brasil apresentam o II Curso Intensivo para Profissionais em Missão:Alargando as Tendas (Is 54.2).
Um curso projetado para orientar e preparar o profissional que tem um compromisso de se dedicar à missão de Deus.
Este ano contaremos com a presença de Peter Shaukat (experiente profissional em missão e homem de negócios), Antônia Leonora Van Der Mer (coordenadora de desenvolvimento e professora do CEM), Durvalina Barreto Bezerra (diretora e professora do Seminário Betel Brasileiro), Nalina Samia (especialista em islamismo no Brasil), Philip Greenwood (diretor e professor do CEM) e Rev. Elben César (pastor e escritor).
O curso abordará os assuntos vida devocional, espiritualidade, batalha espiritual, base bíblica de missões, teologia do sofrimento, teologia do trabalho, o mundo muçulmano, missão empresarial, entre outros.
Venha, participe e seja melhor preparado para servir a Deus por meio da sua profissão!
Vagas limitadas!
Para mais informações ou inscrição clique aqui.
www.cem.org.br

4. Links para um aprofundamento sobre este assunto:

http://luizaugustobueno.blogspot.com/2009/10/devocao-e-espiritualidade-na-formacao.html

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Tópicos: no campo, vida devocional | 1 Comentário »

Boletim do COMIBAM Internacional

Publicado pelo Forum | 29/12/2009

Você pode ver o boletim do COMIBAM através do link http://www.comibam.org/docs/boletin1209.pdf

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Carta Missionária sobre o Natal

Publicado pelo Forum | 19/12/2009

Albânia, novembro de 2009.

Querido companheiro de ministério,

Como sempre, o ano passou voando. Parece que foi ontem que iniciamos o ano de 2009 e, no entanto, ele já está no fim. Dezembro é mês de festa. O comércio consumista do mundo ocidental garante mais dinheiro nas contas bancárias de muitos, dinheiro que é tirado da conta de outros através da exploração da emoção natalina pelo colorido verde e vermelho das árvores e dos enfeites e pelo velho de barba branca que faz ho, ho, ho e vende uma ilusão passageira.

Conto-lhe uma história da minha infância. Eu passei todos os Natais da minha infância na casa do meu tio, irmão da minha mãe, que também festejava o seu aniversário na mesma data. A esposa dele fazia aquela festa! Havia uma mesa enorme cheia de tudo – peru, maionese, arroz com amêndoas, diversos tipos de carnes assadas, doces de tudo, camafeu de nozes e até brigadeiro. Ah, também havia bolo – o bolo mais gostoso deste mundo! Era especialmente encomendado de uma boleira de uma cidade vizinha.

Além do mais, era Natal! Lá fora, um grupo de evangélicos, vizinhos do meu tio, cantava com vozes lindas Noite feliz. E não faltava o Papai Noel. O velhinho entrava na casa, escondido das crianças. Depois, os adultos nos diziam que ele tinha entrado pela chaminé. Ele vinha carregado com quatro ou cinco sacos cheios de presentes para todos nós, para os adultos e para as crianças. Era uma festa!

Quando eu tinha nove anos, porém, no Natal, eu vi que o Papai Noel era o Sr. Lalico. Eu vi o rosto dele atrás da máscara de velho. Eu contei para o meu primo Mário: Ele não é Papai Noel nada. É mentira! É o Sr. Lalico disfarçado! O meu primo contou tudo para a mãe dele, e ela me repreendeu por descobrir a verdade.

No outro ano, para enganar as crianças de novo, o Sr. Lalico foi à casa do meu tio como convidado, e o Papai Noel foi outro homem (acho que era o meu tio mesmo). Eu, porém, já compreendera a verdade, e eles nunca mais me enganariam! Até hoje, pela graça de Deus, eles não me enganam mais. Para mim, terminou a história do engano!

Por tudo isso, neste fim de ano, com sinceridade, eu me lembro, não somente em dezembro, mas no ano todo, em todos os meses, dias, horas, minutos e segundos, da verdade sobre o que o Cristo encarnado fez por mim e por todos quantos O recebem. Eu me lembro e celebro a verdade e não a mentira! Deus, em Cristo, reconciliou o mundo consigo mesmo por meio de Sua morte por nossos pecados e de Sua ressurreição, que significa a morte da morte. Ele a venceu e nos dá a vida – e vida eterna! E esta é a mensagem que prego todos dias aqui na Albania.

Diante disso tudo, o que posso dizer é que desejo que você tenha um bom fim de ano na presença de Deus e que tenha um ano de 2010 da mesma maneira. Que você celebre todos os dias a alegria da salvação em Jesus!

Najua Diba
Missionária na Albania
IPI Londrina & Missão Antioquia

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