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Entrevista com Timóteo Carriker

Publicado pelo Forum | 26/06/2001

Marta Kerr Carriker

O objetivo de todo trabalho missionário é, em última análise, promover o crescimento da igreja.  Ao entrevistarmos Timóteo Carriker tivemos que explicar que o motivo de abordar este tema era que há uma certa pressão para que os missionários apresentem resultados numéricos, havendo casos de retorno do campo quando os resultados não são considerados satisfatórios.

A partir disso perguntamos:  Como o missionário colabora para o crescimento da igreja?

TIMÓTEO:

Quando Jesus falou sobre o crescimento do Evangelho, ele usou a analogia da agronomia.  O Evangelho é como uma planta, e também a igreja.  Ela deve crescer, sim, e o crescimento inclui fatores quantitativos.  Ao mesmo tempo não é apenas medindo o tamanho da planta que se avalia o desempenho.  Existe a parte qualitativa. Se a planta está cheia de ladrões (galhos novos crescendo por toda parte), a fruta não se desenvolve.  A força da planta vai para os galhos e não para a fruta.  Os ladrões podem ser muitas coisas na vida do missionário, como falsos ensinos, pecado na igreja, etc…  Mas o ladrão brota da planta.  Nem falamos ainda em fatores exteriores, como praga, fungo, etc…  Outro exemplo é a própria fruta.  Às vezes é necessário podar alguns tomates para produzir menos tomates que sejam saudáveis.

A gente não pode terminar a analogia aí.  O que é crítico aqui é que a planta tem que ser comparada a outras plantas.  Um pé de milho não cresce como cenoura.  A cenoura não se desenvolve como abóbora.  Isso sugere o princípio de avaliar por espécies iguais.  E isso ainda nem tocou nos fatores exteriores mencionados na parábola do semeador, como o solo, o sol, as aves.  Não se pode comparar a igreja brasileira com a igreja arábica, por exemplo.  É outra planta.  Compara-se com outra igreja arábica.  Também precisamos considerar o solo específico.  Por exemplo, em que parte da Índia o missionário trabalha?

Finalmente há o missionário, o agrônomo.  O que ele não pode fazer?  Ele pode, sim, cuidar do tomateiro como tomateiro.  Ele não pode cuidar transformar o tomateiro em milho, e nem cuidar dele como se fosse milho.  Tem que cuidar como tomateiro.  Pode esperar que cresça e dê fruto.  Mas não como pé de milho, nem como abóbora!  São princípios básicos e  já conhecidos do crescimento da igreja.

O trabalho do missionário pode e deve ser avaliado, mas dentro dos critérios possíveis.  Se aplicarmos isso à igreja da Arábia Saudita, por exemplo, como avaliar?  É simples:  de acordo com a história e desempenho das igrejas de lá.  Se a taxa média de crescimento tem sido de 1% a cada 100 anos, e o missionário conseguir um membro no período de 100 anos, seu desempenho foi a média.  O que não se pode fazer á comparar o desempenho daquele trabalho com o trabalho em outro contexto.  O perigo é especialmente para as igrejas brasileiras, acostumadas à benção do crescimento da igreja no solo brasileiro.  Isso é benção de Deus!  Graças a Deus, somos, sim, um grande pé de abóbora!

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Tópicos: no campo | 1 Comentário »

Uma Resposta para “Entrevista com Timóteo Carriker”

  1. João Bosco Says:
    07/12/2009 at 6:10 am

    Muito interessante o enfoque do Carriker.
    Infelizmente, a grande maioria das Igrejas Brasileiras não tem visão missionária. Muitas delas acham que missões se resumem apenas à ação local da Igreja e pronto. Outras, acham que investir em missões é uma perda de tempo e dinheiro. Quando se levanta um membro com visão de ir além e fazer missões até aos confins da terra, levanta-se logo o grupo de desestímulo e, num complô, oferecem aumento salarial; ou cargo; ou promoção. Por que não fazem o contrário, juntando-se todos e encorajando o outro a ir, inclusive se comprometendo a ajudar no sustento, em sua manutenção?
    Que o Senhor tenha misericórdia de nossas Igrejas.